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	<title>Comentários para: Ciência, Religião e Desenvolvimento - Perspectivas para o Brasil</title>
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	<description>Qual o papel que a ciência e a religião, dois inequívocos pilares do conhecimento humano, podem ter sobre os processos de desenvolvimento da sociedade brasileira?</description>
	<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 10:13:02 +0000</pubDate>
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		<title>Por: Décio</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-1990</link>
		<dc:creator>Décio</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 14:26:18 +0000</pubDate>
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		<description>Olá, saudações. É o Décio.
"Abrimos" o blog www.blig.com.br/dlmendes
Temos algo pertinente a transmitir ( Cosmologia, concepção do "logos", vontade - concepção, etc...).
Aguardamos a sua visita.
Faça o seu comentário.
Desde já agradecemos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, saudações. É o Décio.<br />
&#8220;Abrimos&#8221; o blog <a href="http://www.blig.com.br/dlmendes" rel="nofollow" onclick="javascript:urchinTracker ('/outbound/comment/www.blig.com.br');">http://www.blig.com.br/dlmendes</a><br />
Temos algo pertinente a transmitir ( Cosmologia, concepção do &#8220;logos&#8221;, vontade - concepção, etc&#8230;).<br />
Aguardamos a sua visita.<br />
Faça o seu comentário.<br />
Desde já agradecemos.</p>
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		<title>Por: Luis Lopes Diniz Filho</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-791</link>
		<dc:creator>Luis Lopes Diniz Filho</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 07:36:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-791</guid>
		<description>O professor Sylvio Fausto Gil Filho, meu amigo e colega de Departamento, escreveu-me para manifestar sua preocupação com as críticas que eu fiz ao professor Iradj no comentário acima. Ele acha que o meu texto pode sugerir que eu esteja fazendo críticas pessoais, chamando o professor Iradj de mentiroso, ou algo assim. Minha intenção não era essa, mas, se o Sylvio avaliou que o texto pode dar margem a esse tipo de interpretação, achei por bem fazer um comentário explicativo adicional (tentei fazer isso outras vezes, mas havia um problema na página).

Assim, cabe dizer que, como afirma o filósofo Roberto Romano, a diferença entre moral e ética é que a primeira é um conjunto de regras que regula o comportamento do indivíduo em sua vida privada, ao passo que a ética rege o comportamento de grupos, como ocorre, por exemplo, nos códigos de ética profissional. É por isso que, no meu texto, usei sempre a palavra “ética”: porque a minha intenção era apenas debater a questão da conduta que os cientistas e professores devem assumir ao participarem dos debates públicos, o que nada tem a ver com o comportamento deste ou daquele acadêmico no âmbito de sua vida privada. Não se trata, pois, de críticas pessoais, mas de um debate sobre as relações entre ciência, ética e política.

Realmente, um dos princípios fundamentais do positivismo é o da neutralidade do método, segundo o qual existe uma distinção bastante clara entre fatos e valores, devendo o cientista produzir conhecimento pautando-se unicamente pela análise factual. O marxismo e as correntes pós-modernistas refutam essa visão, pois afirmam que as relações de poder permeiam todos os discursos e todas as condutas, inexistindo um conhecimento científico que seja completamente neutro. Ora, eu concordo que, nas ciências sociais, não existe um método que garanta a capacidade de produzir conhecimento sem qualquer influência de valores políticos, sociais e culturais. Todavia, mesmo no âmbito do marxismo e de outras correntes intelectuais críticas da sociedade capitalista (como é o caso do documento-síntese, que ataca o capitalismo explicitamente) a questão da neutralidade ética se impõe, como defende o sociólogo marxista José de Souza Martins. Segundo ele, o intelectual não pode assumir a defesa apaixonada deste ou daquele “movimento social” na suposição de que certos grupos, unicamente por terem discursos ou pautas de reivindicação anti-capitalistas ou anti-globalização, estejam automaticamente certos. Mesmo para um marxista, impõe-se o dever ético de avaliar criticamente as pautas e reivindicações desses grupos, apontando seu potencial progressista, se houver, mas também os seus limites e elementos regressivos. 

De modo análogo, acrescento eu que os pesquisadores e professores, mesmo quando críticos do capitalismo, não podem se furtar de reconhecer os avanços sociais inequívocos que estão sendo alcançados no contexto da globalização, como mostram os indicadores de pobreza que eu mencionei e também os dados do PNUD sobre o IDH. O argumento de que é preciso mostrar somente o lado ruim das coisas para motivar as pessoas a agirem politicamente também não é válido, pois essa é a função do militante partidário, sindical ou de ONG, não do intelectual. Além do mais, se as pessoas tiverem uma visão parcial das coisas, é óbvio que serão induzidas a aceitar propostas políticas ideologicamente orientadas, como argumentei em meu texto.

Enfim, se não temos um método que garanta a capacidade de produzir um conhecimento absolutamente despido de valores, por outro lado temos de manter o compromisso com a neutralidade e a objetividade das análises. Isso implica pensar em métodos científicos nos quais os resultados das pesquisas independam das convicções e valores do pesquisador tanto quanto for possível, ao invés de assumir que certos grupos sociais, somente por serem o que são, devem ter mais poder do que os outros para intervir nas políticas públicas. Essa é a discordância que eu tenho em relação ao professor Iradj e outros autores que participaram da elaboração do documento-síntese no que diz respeito às relações entre ciência, ética e política. Meu comentário anterior visava expor essa discordância, não fazer críticas de teor pessoal a quem quer seja.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O professor Sylvio Fausto Gil Filho, meu amigo e colega de Departamento, escreveu-me para manifestar sua preocupação com as críticas que eu fiz ao professor Iradj no comentário acima. Ele acha que o meu texto pode sugerir que eu esteja fazendo críticas pessoais, chamando o professor Iradj de mentiroso, ou algo assim. Minha intenção não era essa, mas, se o Sylvio avaliou que o texto pode dar margem a esse tipo de interpretação, achei por bem fazer um comentário explicativo adicional (tentei fazer isso outras vezes, mas havia um problema na página).</p>
<p>Assim, cabe dizer que, como afirma o filósofo Roberto Romano, a diferença entre moral e ética é que a primeira é um conjunto de regras que regula o comportamento do indivíduo em sua vida privada, ao passo que a ética rege o comportamento de grupos, como ocorre, por exemplo, nos códigos de ética profissional. É por isso que, no meu texto, usei sempre a palavra “ética”: porque a minha intenção era apenas debater a questão da conduta que os cientistas e professores devem assumir ao participarem dos debates públicos, o que nada tem a ver com o comportamento deste ou daquele acadêmico no âmbito de sua vida privada. Não se trata, pois, de críticas pessoais, mas de um debate sobre as relações entre ciência, ética e política.</p>
<p>Realmente, um dos princípios fundamentais do positivismo é o da neutralidade do método, segundo o qual existe uma distinção bastante clara entre fatos e valores, devendo o cientista produzir conhecimento pautando-se unicamente pela análise factual. O marxismo e as correntes pós-modernistas refutam essa visão, pois afirmam que as relações de poder permeiam todos os discursos e todas as condutas, inexistindo um conhecimento científico que seja completamente neutro. Ora, eu concordo que, nas ciências sociais, não existe um método que garanta a capacidade de produzir conhecimento sem qualquer influência de valores políticos, sociais e culturais. Todavia, mesmo no âmbito do marxismo e de outras correntes intelectuais críticas da sociedade capitalista (como é o caso do documento-síntese, que ataca o capitalismo explicitamente) a questão da neutralidade ética se impõe, como defende o sociólogo marxista José de Souza Martins. Segundo ele, o intelectual não pode assumir a defesa apaixonada deste ou daquele “movimento social” na suposição de que certos grupos, unicamente por terem discursos ou pautas de reivindicação anti-capitalistas ou anti-globalização, estejam automaticamente certos. Mesmo para um marxista, impõe-se o dever ético de avaliar criticamente as pautas e reivindicações desses grupos, apontando seu potencial progressista, se houver, mas também os seus limites e elementos regressivos. </p>
<p>De modo análogo, acrescento eu que os pesquisadores e professores, mesmo quando críticos do capitalismo, não podem se furtar de reconhecer os avanços sociais inequívocos que estão sendo alcançados no contexto da globalização, como mostram os indicadores de pobreza que eu mencionei e também os dados do PNUD sobre o IDH. O argumento de que é preciso mostrar somente o lado ruim das coisas para motivar as pessoas a agirem politicamente também não é válido, pois essa é a função do militante partidário, sindical ou de ONG, não do intelectual. Além do mais, se as pessoas tiverem uma visão parcial das coisas, é óbvio que serão induzidas a aceitar propostas políticas ideologicamente orientadas, como argumentei em meu texto.</p>
<p>Enfim, se não temos um método que garanta a capacidade de produzir um conhecimento absolutamente despido de valores, por outro lado temos de manter o compromisso com a neutralidade e a objetividade das análises. Isso implica pensar em métodos científicos nos quais os resultados das pesquisas independam das convicções e valores do pesquisador tanto quanto for possível, ao invés de assumir que certos grupos sociais, somente por serem o que são, devem ter mais poder do que os outros para intervir nas políticas públicas. Essa é a discordância que eu tenho em relação ao professor Iradj e outros autores que participaram da elaboração do documento-síntese no que diz respeito às relações entre ciência, ética e política. Meu comentário anterior visava expor essa discordância, não fazer críticas de teor pessoal a quem quer seja.</p>
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	<item>
		<title>Por: Luis Lopes Diniz Filho</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-553</link>
		<dc:creator>Luis Lopes Diniz Filho</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 01:22:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-553</guid>
		<description>Participei da mesa-redonda em que foi discutido o documento síntese, na cidade de Curitiba. Em minha palestra, apresentei uma série de críticas ao conteúdo do documento, cujas análises e propostas se inspiravam, quase sempre, num pensamento de esquerda pós-modernista que, muito embora se apresente como democrático e defensor da diversidade cultural, é, na verdade, autoritário, preconceituoso e intolerante. 

Não é o caso de reproduzir aqui todas as críticas que teci contra o texto e os questionamentos que foram feitos à minha fala durante a sessão de debates, já que isso implicaria elaborar um artigo muito longo. Meu objetivo é questionar apenas um dos argumentos expostos pelo professor Iradj Roberto Eghrari na ocasião.
 
De fato, a primeira crítica que lancei contra o referido documento é a de que existem pesquisas internacionais que contestam frontalmente uma afirmação feita logo em sua seção introdutória (conforme ainda se lê acima), qual seja, a de que estamos vivendo o século do “aumento da pobreza mundial”. 

Essa afirmação foi feita sem qualquer referência às fontes que a justificariam, de modo que eu citei dados que demonstram justamente o contrário. De 1981 a 2005, o número de habitantes de países em desenvolvimento que vive com menos de 1,25 dólares por dia, a preços de 2005, caiu de 1,9 bilhões para 1,4 bilhões. Assim, com o grande aumento da população desse conjunto de países no período em foco, o percentual de pobres foi reduzido de aproximadamente 50% para 25%. Uma pesquisa um pouco mais antiga, que fixa a linha de pobreza em um dólar por pessoa por dia, indica que, de 1984 a 2004, o percentual de pessoas vivendo nessas condições nos países em desenvolvimento foi reduzido de 33% para 18%.

Ora, um dos argumentos apresentados pelo professor Iradj no debate que se seguiu foi que a divulgação desse tipo de pesquisa pode levar as pessoas a uma posição de comodismo, isto é, pode levá-las a não atuar politicamente em prol de avanços sociais pelo fato de acharem que tudo já está sendo resolvido. Não rebati esse argumento em particular durante os debates, posto que havia muitas outras ideias a serem refutadas e discutidas. Contudo, é o caso de indagar: será ético um pesquisador e professor ocultar informações da opinião pública (e, portanto, dos seus alunos) com o argumento de que eles devem ser induzidos a atuarem politicamente? Não será essa uma forma de manipulação inaceitável para profissionais que devem ter o compromisso de fazer ciência e divulgar conhecimento?

Temos aí um problema ético que ganha maior dimensão se o pesquisador se eximir de dizer o que as estatísticas mostram mesmo quando lê um estudo acadêmico no qual se afirma categoricamente estar havendo “aumento da pobreza mundial” mesmo sem a apresentação de qualquer comprovação empírica. Nesse caso, um pesquisador que se omitir não estará apenas sonegando informações para induzir as pessoas a agirem politicamente, mas colaborando com um engano ou talvez com uma mentira deliberada! 

Conforme eu defendi na referida mesa redonda, mentir é, até certo ponto, aceitável quando se trata da luta política, visto que os militantes de partidos, ONGs, sindicatos e “movimentos sociais” usam da retórica para advogar em defesa de certas causas políticas, sociais e ambientais. A retórica é um tipo de discurso que visa alcançar objetivos práticos, de sorte que é da sua natureza elaborar argumentos e selecionar evidências de modo a convencer as pessoas da justeza do objetivo em pauta. Mas um cientista social não pode trabalhar com a retórica! A missão do pesquisador não é ser advogado de causas, mas sim advogado da “verdade”. Se a arma dos militantes é a retórica, a função do pesquisador é produzir conhecimento com base num compromisso estrito com a coerência do discurso e com a apresentação de evidências que sustentem todas as suas afirmações. Por esse motivo, também não cabe ao professor selecionar informações com vistas a induzir os alunos a agirem como ele deseja, mas sim transmitir a eles conhecimentos científicos. E se é verdade que existem teorias antagônicas para a explicação dos fenômenos (sobretudo nas ciências sociais), isso significa que o professor deve apresentar essa diversidade teórica aos alunos para permitir-lhes refletir autonomamente sobre cada teoria, ao invés de sonegar evidências com o fim de induzi-los a aceitar uma delas. 

É claro que, a essas considerações, alguém poderia objetar que o professor Iradj não estava propondo induzir as pessoas a aceitar esta ou aquela teoria ou ideologia, mas apenas omitir informações sobre os avanços sociais ocorridos para levá-las a agir politicamente, sem se importar quais seriam as opções políticas de cada pessoa. Todavia, esse argumento seria incorreto por dois motivos. O primeiro é que, se as pessoas acreditarem que a pobreza mundial está aumentando, quando na verdade está havendo o contrário, é óbvio que serão induzidas a aceitar como corretas as teorias e ideologias que lançam os ataques mais radicais ao “capitalismo globalizado”, ao “neoliberalismo” ou ao “modelo ocidental de desenvolvimento”. O segundo motivo é que, se as pessoas pensarem que a ampliação do comércio internacional e outros processos associados ao contexto da globalização prejudicam a maior parte da humanidade, tenderão a apoiar propostas políticas que visem restringir esses processos que têm permitido tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza, bloqueando ou até revertendo tal benefício. Isso significa, literalmente, manipular a opinião pública para que ela dê apoio a certas políticas que podem ser um tiro no pé!

Pesquisadores e professores só prestam uma contribuição original aos debates públicos quando se recusam a fazer retórica para defender causas e se concentram no esforço de produzir conhecimentos tão objetivos quanto possível. O uso de métodos tidos como adequados não dá garantias absolutas de que os enunciados científicos são de fato objetivos e neutros em relação a valores e interesses, mas a objetividade e a neutralidade têm de continuar existindo como compromissos que o cientista assume quando elabora e aplica seus métodos de pesquisa. A principal função dos acadêmicos ao participarem dos debates públicos é corrigir as mentiras sempre que elas forem enunciadas, sem se importar com quem as enuncia e nem com quais são as causas por trás das mentiras.

Fontes: 

CHEN, S.; RAVALLION, M. The developing world is poorer than we thought, but no less successful in the fight against poverty. The World Bank, Development Research Group, ago. 2008 (Policy Research Working Paper, 4703). Disponível em:  Acesso em: 04 mar. 2009. 

FERREIRA, F. H. G; LEITE, P. G.; RAVALLION, M. Poverty reduction without economic growth? Explaining Brazil’s poverty dynamics, 1985-2004. The World Bank, Development Research Group, dec. 2007 (Policy Research Working Paper, 4431). Disponível em:  Acesso em: 04 mar. 2009.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Participei da mesa-redonda em que foi discutido o documento síntese, na cidade de Curitiba. Em minha palestra, apresentei uma série de críticas ao conteúdo do documento, cujas análises e propostas se inspiravam, quase sempre, num pensamento de esquerda pós-modernista que, muito embora se apresente como democrático e defensor da diversidade cultural, é, na verdade, autoritário, preconceituoso e intolerante. </p>
<p>Não é o caso de reproduzir aqui todas as críticas que teci contra o texto e os questionamentos que foram feitos à minha fala durante a sessão de debates, já que isso implicaria elaborar um artigo muito longo. Meu objetivo é questionar apenas um dos argumentos expostos pelo professor Iradj Roberto Eghrari na ocasião.</p>
<p>De fato, a primeira crítica que lancei contra o referido documento é a de que existem pesquisas internacionais que contestam frontalmente uma afirmação feita logo em sua seção introdutória (conforme ainda se lê acima), qual seja, a de que estamos vivendo o século do “aumento da pobreza mundial”. </p>
<p>Essa afirmação foi feita sem qualquer referência às fontes que a justificariam, de modo que eu citei dados que demonstram justamente o contrário. De 1981 a 2005, o número de habitantes de países em desenvolvimento que vive com menos de 1,25 dólares por dia, a preços de 2005, caiu de 1,9 bilhões para 1,4 bilhões. Assim, com o grande aumento da população desse conjunto de países no período em foco, o percentual de pobres foi reduzido de aproximadamente 50% para 25%. Uma pesquisa um pouco mais antiga, que fixa a linha de pobreza em um dólar por pessoa por dia, indica que, de 1984 a 2004, o percentual de pessoas vivendo nessas condições nos países em desenvolvimento foi reduzido de 33% para 18%.</p>
<p>Ora, um dos argumentos apresentados pelo professor Iradj no debate que se seguiu foi que a divulgação desse tipo de pesquisa pode levar as pessoas a uma posição de comodismo, isto é, pode levá-las a não atuar politicamente em prol de avanços sociais pelo fato de acharem que tudo já está sendo resolvido. Não rebati esse argumento em particular durante os debates, posto que havia muitas outras ideias a serem refutadas e discutidas. Contudo, é o caso de indagar: será ético um pesquisador e professor ocultar informações da opinião pública (e, portanto, dos seus alunos) com o argumento de que eles devem ser induzidos a atuarem politicamente? Não será essa uma forma de manipulação inaceitável para profissionais que devem ter o compromisso de fazer ciência e divulgar conhecimento?</p>
<p>Temos aí um problema ético que ganha maior dimensão se o pesquisador se eximir de dizer o que as estatísticas mostram mesmo quando lê um estudo acadêmico no qual se afirma categoricamente estar havendo “aumento da pobreza mundial” mesmo sem a apresentação de qualquer comprovação empírica. Nesse caso, um pesquisador que se omitir não estará apenas sonegando informações para induzir as pessoas a agirem politicamente, mas colaborando com um engano ou talvez com uma mentira deliberada! </p>
<p>Conforme eu defendi na referida mesa redonda, mentir é, até certo ponto, aceitável quando se trata da luta política, visto que os militantes de partidos, ONGs, sindicatos e “movimentos sociais” usam da retórica para advogar em defesa de certas causas políticas, sociais e ambientais. A retórica é um tipo de discurso que visa alcançar objetivos práticos, de sorte que é da sua natureza elaborar argumentos e selecionar evidências de modo a convencer as pessoas da justeza do objetivo em pauta. Mas um cientista social não pode trabalhar com a retórica! A missão do pesquisador não é ser advogado de causas, mas sim advogado da “verdade”. Se a arma dos militantes é a retórica, a função do pesquisador é produzir conhecimento com base num compromisso estrito com a coerência do discurso e com a apresentação de evidências que sustentem todas as suas afirmações. Por esse motivo, também não cabe ao professor selecionar informações com vistas a induzir os alunos a agirem como ele deseja, mas sim transmitir a eles conhecimentos científicos. E se é verdade que existem teorias antagônicas para a explicação dos fenômenos (sobretudo nas ciências sociais), isso significa que o professor deve apresentar essa diversidade teórica aos alunos para permitir-lhes refletir autonomamente sobre cada teoria, ao invés de sonegar evidências com o fim de induzi-los a aceitar uma delas. </p>
<p>É claro que, a essas considerações, alguém poderia objetar que o professor Iradj não estava propondo induzir as pessoas a aceitar esta ou aquela teoria ou ideologia, mas apenas omitir informações sobre os avanços sociais ocorridos para levá-las a agir politicamente, sem se importar quais seriam as opções políticas de cada pessoa. Todavia, esse argumento seria incorreto por dois motivos. O primeiro é que, se as pessoas acreditarem que a pobreza mundial está aumentando, quando na verdade está havendo o contrário, é óbvio que serão induzidas a aceitar como corretas as teorias e ideologias que lançam os ataques mais radicais ao “capitalismo globalizado”, ao “neoliberalismo” ou ao “modelo ocidental de desenvolvimento”. O segundo motivo é que, se as pessoas pensarem que a ampliação do comércio internacional e outros processos associados ao contexto da globalização prejudicam a maior parte da humanidade, tenderão a apoiar propostas políticas que visem restringir esses processos que têm permitido tirar centenas de milhões de pessoas da pobreza, bloqueando ou até revertendo tal benefício. Isso significa, literalmente, manipular a opinião pública para que ela dê apoio a certas políticas que podem ser um tiro no pé!</p>
<p>Pesquisadores e professores só prestam uma contribuição original aos debates públicos quando se recusam a fazer retórica para defender causas e se concentram no esforço de produzir conhecimentos tão objetivos quanto possível. O uso de métodos tidos como adequados não dá garantias absolutas de que os enunciados científicos são de fato objetivos e neutros em relação a valores e interesses, mas a objetividade e a neutralidade têm de continuar existindo como compromissos que o cientista assume quando elabora e aplica seus métodos de pesquisa. A principal função dos acadêmicos ao participarem dos debates públicos é corrigir as mentiras sempre que elas forem enunciadas, sem se importar com quem as enuncia e nem com quais são as causas por trás das mentiras.</p>
<p>Fontes: </p>
<p>CHEN, S.; RAVALLION, M. The developing world is poorer than we thought, but no less successful in the fight against poverty. The World Bank, Development Research Group, ago. 2008 (Policy Research Working Paper, 4703). Disponível em:  Acesso em: 04 mar. 2009. </p>
<p>FERREIRA, F. H. G; LEITE, P. G.; RAVALLION, M. Poverty reduction without economic growth? Explaining Brazil’s poverty dynamics, 1985-2004. The World Bank, Development Research Group, dec. 2007 (Policy Research Working Paper, 4431). Disponível em:  Acesso em: 04 mar. 2009.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Walner Mamede Jr</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-320</link>
		<dc:creator>Walner Mamede Jr</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 19:38:12 +0000</pubDate>
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		<description>Gostaria de iniciar a exposição com a seguinte máxima: 'Não há nada que se alcance pela fé que não se possa alcançar pela razão'. Dito isso, partamos para argumentos pontuais acerca das afirmações presentes neste site.

1.	É de se estranhar que apenas opiniões eivadas pelo sentimento religioso figurem, até o momento, entre os posts desta página. Se atentarmos bem para as questões postas, inclusive pelos autores do relatório brasileiro, identificaremos uma tendência da Religião em tentar se legitimar por meio da Ciência. Sendo o conhecimento científico a materialização da racionalidade humana e o azimute da verdade no mundo atual, ao afirmarmos que “Devemos usar a racionalidade para ressignificar o papel da religiosidade e conferir um sentido mais profundo aos ritos...” estamos nada mais que submetendo a Religião à “...ditadura da ciência: o que tem valor, o que não é subdesenvolvido, o que faz sentido é a verdade da ciência...”. Este tem sido um ponto comum no debate Ciência x Religião. Ironicamente, sem perceber, aqueles que defendem uma comunhão/complementaridade entre esses dois campos do saber humano tem atribuído à Ciência um papel protagonista e à Religião um papel coadjuvante na explicação da existência, uma vez que é a abordagem racional, científica que é sempre invocada como legitimadora daquilo que foi previamente produzido pela fé, numa descaracterização da própria identidade do conhecimento religioso: a crença em algo que, por princípio, não possui explicação racional, não necessita de prova material de existência e possui plenos poderes para realizar obras imponderáveis e racionalmente impossíveis, ou seja, Deus (ou deuses). Não há registro de trabalhos científicos sérios que invoquem a crença no divino, no sobrenatural como pré-requisito à fundamentação de seus achados, mas são inúmeras as produções literárias que tentam vincular as verdades religiosas a um método ou achado científico. Ou seja, o conhecimento científico se basta. Aquilo que ele não explica (ainda) é aceito como dúvida e objeto de estudo e, ainda que hajam hipóteses explicativas que busquem preencher o vazio produzido, essas são tidas como POSSÍVEIS respostas e passíveis de refutação. Os preenchimentos dessas lacunas com respostas definitivas e absolutas ficam ao encargo do senso comum e da Religião, mas não sob solicitação da Ciência, que apenas se resguarda no direito de silêncio temporário e refletido, aceitando a existência da dúvida como um motor do conhecimento, entendendo que, parafraseando Kant, a inteligência é medida pela capacidade em conviver com as incertezas.

2.	“Apesar de não conseguirmos apreender a realidade de forma completa apenas com o uso da razão” e, consequentemente, pela Ciência, isso também não é possível por meio de qualquer outra forma de conhecimento, seja filosófico, artístico, teológico ou vulgar. Mas foi pela própria razão que se chegou a tal conclusão e não por outros atributos da mente humana, tais como a sensibilidade ou a espiritualidade.

3.	“O mau uso da ciência e da racionalidade pode ser tão perigoso quanto o extremismo religioso...”, se é “...com o uso da razão que o radicalismo religioso é questionado”, é a partir de valores morais alicerçados no pensamento religioso que o racionalismo frio da Ciência, no qual os fins justificam os meios – estes, muitas vezes, cruéis e desumanos –, é colocado em xeque e obrigado a rever suas diretrizes. Contudo, é relevante observar que o racionalismo estéril e desumano da Ciência - ou mesmo da Religião enquanto instituição social - não representa uma atitude racional de fato, mas tão somente um arremedo ideológico do conceito de razão (e de Ciência) com fins de afirmação do poder político ou econômico no contexto em que se produziu o evento. A razão (e a Ciência), em sua dimensão conceitual, deve primar pelo respeito à vida e ao direito de bem viver, não em decorrência de uma moral religiosa ou sensibilidade espiritual, mas porque o desrespeito à vida e ao direito alheios, em menor ou maior medida, em maior ou menor prazo, irá se refletir sobre todos os seres existentes, humanos e inumanos, uma vez que compartilhamos um mesmo ambiente sócio-cultural ou natural, um mesmo espaço físico (em sentido amplo ou restrito), necessidades semelhantes de sobrevivência, e nossas ações, ainda que de forma imperceptível a olhos desatentos ou menos acostumados a contemplar a realidade numa perspectiva da totalidade, do global, estão direta ou indiretamente relacionadas. Redigo, esta afirmação não se encontra assentada no plano da metafísica ou do sentimento de fraternidade e desejo união dos povos, mas na lógica dos fatos, em sua análise racional e nas evidências que já se nos apresentam.

4.	A Ciência (e, por conseguinte, a racionalidade) deve se configurar não como uma instituição social estabelecida ou instrumento de dominação e legitimação do poder, mas sim como uma atitude perante a vida, uma visão de mundo, uma forma de se portar diante do conhecimento e das experiências pessoais e coletivas que nos instigue a buscar respostas despidas de fantasias e dogmatismos, novas narrativas, ainda que iluminadas por um paradigma que, invariavelmente, irá ruir sob a crítica severa do próprio pensamento científico que o criou, em um movimento de interminável questionamento retroalimentado. Nesse contexto, a humildade da Ciência está em aceitar, como dúvida produtiva, aquilo que não consegue explicar, para o qual não gerou ou coletou evidências suficientes a uma afirmação provisória, aproximada, mas consistente e coerente. A humildade não consiste em invocar elementos do sobrenatural, do metafísico para preencher as lacunas deixadas por sua própria incompletude como ferramenta explicativa. Nem em aceitar passivamente tais elementos como uma explicação concreta, definitiva ou não, para questões ainda vagas, apenas porque enseja-se  apoiar o reconhecimento acadêmico, social, cultural e/ou psicológico desses elementos.

5.	“A espiritualidade dá respostas em um outro nível de explicação...”, podemos entender esse nível como referente à necessidade do ser humano em preencher lacunas, em buscar conforto para seus anseios e angústias diante das incertezas sobre o futuro ou mesmo o presente. Uma necessidade diretamente relacionada ao instinto de sobrevivência característico do homem: explicar para entender e dominar, o que, na esteira da seleção natural, nos garantiu supremacia em relação a outros animais na disputa por alimento e segurança. Ainda que o pensamento mítico apresentasse explicações, por vezes, estapafúrdias, ainda assim eram explicações que permitiam ao ser humano certo controle sobre o ambiente e adversários. A Ciência não ampara sentimentos desse quilate, ao menos não da forma como o faz a Religião. O ser humano, confrontado com a finitude da vida, a insignificância perante os eventos da natureza, as injustiças sociais e as dificuldades pessoais, aparentemente, intransponíveis e inexplicáveis por meio dos recursos cognitivos e tecnológicos disponíveis, recorreu, e ainda recorre, a alternativas explicativas que atendam sua necessidade de respostas, ainda que estas se apóiem na criatividade fantástica e se deem à revelia de evidências concretas ou mesmo neguem tais evidências quando contrárias às suas postulações. Por esse caminho são construídos os artigos da fé, contudo não podemos afirmar que tais construções se deram (ou se dão) à margem da razão, em que pese o fato da crença a posteriori prescindir de tal recurso cognitivo em níveis elevados. Tentativas de explicação, em qualquer modalidade que ocorram, irão recorrer aos atributos da razão e da lógica na estruturação de seu discurso. O que se constitui como elemento diferencial entre Ciência e Religião não é, necessariamente, a ausência de processos lógico-racionais na produção de seus argumentos, mas o nível da relação razão-emoção aplicada nessa produção e a maior ou menor possibilidade de julgamento de suas proposições segundo os critérios de verdade semântica, sintática e pragmática ou conforme as emanações de escrituras sagradas e verdades reveladas. Ou seja, devemos entender o intervalo entre Ciência e Religião como uma linha descontínua extremada por cada um desses conceitos (Ciência e Religião) e em cuja “tessitura” são produzidas as afirmações, que serão melhor julgadas por critérios veritativos relativos a campos de conhecimento próprios, sendo invalidados ou fracamente avaliadas por critérios inadequados ao seu objeto. Descontínua porque, apesar da abordagem mítico-religiosa da realidade ter fomentado o nascimento do pensamento científico por representar um esforço cognitivo do ser humano em explicá-la a partir dos recursos disponíveis, tais formas de explicação não apresentam uma continuidade entre si, não se convertem naturalmente uma na outra, mas tão somente fazem parte de um mesmo processo de apreensão da realidade, ainda que por métodos dissonantes e segundo critérios contraditórios.

6.	“A espiritualidade tem o papel de construir valores comuns para a sociedade...dando um sentido mais profundo à vida...”, contudo, não podemos entende-la como a única ou melhor forma de se construir isso. Talvez seja, sim, a mais fácil por lidar com elementos que prescindem da racionalidade para sua validação como verdade (a razão estaria presente, apenas, na construção do argumento e das estratégias necessárias à transmissão e legitimação do conhecimento, ou seja, uma ferramenta de convencimento pela qual seria estruturada uma narrativa coerente aos ouvidos mais propensos à aceitação e à crença). Como já mencionado, anteriormente, pela razão se é plenamente possível construir valores morais tão ou mais eficientes no que diz respeito à necessidade de dar sentido à vida, bastando para isso que o homem compreenda e aceite sua finitude, o que demandará um alto grau de amadurecimento emocional e autonomia intelectual. Conquistado este status para o homem, Deus morrerá, principalmente se considerarmos que muitas das características biológicas, geneticamente determinadas, uma das quais nos tornou seres espirituais, e destinadas à autopreservação da espécie, já não são tão necessárias no ambiente em que vivemos hoje e estão desaparecendo como resultado da contínua evolução animal. Portanto, não seria absurdo dizermos que o ateísmo pode ser o próximo passo evolutivo da humanidade, acreditem os religiosos ou não no evolucionismo.

Prof. Msc. Walner Mamede Jr
Professor de Metodologia Ciência
Analista em Ciência e Tecnologia/CAPES
walner.junior@capes.gov.br</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de iniciar a exposição com a seguinte máxima: &#8216;Não há nada que se alcance pela fé que não se possa alcançar pela razão&#8217;. Dito isso, partamos para argumentos pontuais acerca das afirmações presentes neste site.</p>
<p>1.	É de se estranhar que apenas opiniões eivadas pelo sentimento religioso figurem, até o momento, entre os posts desta página. Se atentarmos bem para as questões postas, inclusive pelos autores do relatório brasileiro, identificaremos uma tendência da Religião em tentar se legitimar por meio da Ciência. Sendo o conhecimento científico a materialização da racionalidade humana e o azimute da verdade no mundo atual, ao afirmarmos que “Devemos usar a racionalidade para ressignificar o papel da religiosidade e conferir um sentido mais profundo aos ritos&#8230;” estamos nada mais que submetendo a Religião à “&#8230;ditadura da ciência: o que tem valor, o que não é subdesenvolvido, o que faz sentido é a verdade da ciência&#8230;”. Este tem sido um ponto comum no debate Ciência x Religião. Ironicamente, sem perceber, aqueles que defendem uma comunhão/complementaridade entre esses dois campos do saber humano tem atribuído à Ciência um papel protagonista e à Religião um papel coadjuvante na explicação da existência, uma vez que é a abordagem racional, científica que é sempre invocada como legitimadora daquilo que foi previamente produzido pela fé, numa descaracterização da própria identidade do conhecimento religioso: a crença em algo que, por princípio, não possui explicação racional, não necessita de prova material de existência e possui plenos poderes para realizar obras imponderáveis e racionalmente impossíveis, ou seja, Deus (ou deuses). Não há registro de trabalhos científicos sérios que invoquem a crença no divino, no sobrenatural como pré-requisito à fundamentação de seus achados, mas são inúmeras as produções literárias que tentam vincular as verdades religiosas a um método ou achado científico. Ou seja, o conhecimento científico se basta. Aquilo que ele não explica (ainda) é aceito como dúvida e objeto de estudo e, ainda que hajam hipóteses explicativas que busquem preencher o vazio produzido, essas são tidas como POSSÍVEIS respostas e passíveis de refutação. Os preenchimentos dessas lacunas com respostas definitivas e absolutas ficam ao encargo do senso comum e da Religião, mas não sob solicitação da Ciência, que apenas se resguarda no direito de silêncio temporário e refletido, aceitando a existência da dúvida como um motor do conhecimento, entendendo que, parafraseando Kant, a inteligência é medida pela capacidade em conviver com as incertezas.</p>
<p>2.	“Apesar de não conseguirmos apreender a realidade de forma completa apenas com o uso da razão” e, consequentemente, pela Ciência, isso também não é possível por meio de qualquer outra forma de conhecimento, seja filosófico, artístico, teológico ou vulgar. Mas foi pela própria razão que se chegou a tal conclusão e não por outros atributos da mente humana, tais como a sensibilidade ou a espiritualidade.</p>
<p>3.	“O mau uso da ciência e da racionalidade pode ser tão perigoso quanto o extremismo religioso&#8230;”, se é “&#8230;com o uso da razão que o radicalismo religioso é questionado”, é a partir de valores morais alicerçados no pensamento religioso que o racionalismo frio da Ciência, no qual os fins justificam os meios – estes, muitas vezes, cruéis e desumanos –, é colocado em xeque e obrigado a rever suas diretrizes. Contudo, é relevante observar que o racionalismo estéril e desumano da Ciência - ou mesmo da Religião enquanto instituição social - não representa uma atitude racional de fato, mas tão somente um arremedo ideológico do conceito de razão (e de Ciência) com fins de afirmação do poder político ou econômico no contexto em que se produziu o evento. A razão (e a Ciência), em sua dimensão conceitual, deve primar pelo respeito à vida e ao direito de bem viver, não em decorrência de uma moral religiosa ou sensibilidade espiritual, mas porque o desrespeito à vida e ao direito alheios, em menor ou maior medida, em maior ou menor prazo, irá se refletir sobre todos os seres existentes, humanos e inumanos, uma vez que compartilhamos um mesmo ambiente sócio-cultural ou natural, um mesmo espaço físico (em sentido amplo ou restrito), necessidades semelhantes de sobrevivência, e nossas ações, ainda que de forma imperceptível a olhos desatentos ou menos acostumados a contemplar a realidade numa perspectiva da totalidade, do global, estão direta ou indiretamente relacionadas. Redigo, esta afirmação não se encontra assentada no plano da metafísica ou do sentimento de fraternidade e desejo união dos povos, mas na lógica dos fatos, em sua análise racional e nas evidências que já se nos apresentam.</p>
<p>4.	A Ciência (e, por conseguinte, a racionalidade) deve se configurar não como uma instituição social estabelecida ou instrumento de dominação e legitimação do poder, mas sim como uma atitude perante a vida, uma visão de mundo, uma forma de se portar diante do conhecimento e das experiências pessoais e coletivas que nos instigue a buscar respostas despidas de fantasias e dogmatismos, novas narrativas, ainda que iluminadas por um paradigma que, invariavelmente, irá ruir sob a crítica severa do próprio pensamento científico que o criou, em um movimento de interminável questionamento retroalimentado. Nesse contexto, a humildade da Ciência está em aceitar, como dúvida produtiva, aquilo que não consegue explicar, para o qual não gerou ou coletou evidências suficientes a uma afirmação provisória, aproximada, mas consistente e coerente. A humildade não consiste em invocar elementos do sobrenatural, do metafísico para preencher as lacunas deixadas por sua própria incompletude como ferramenta explicativa. Nem em aceitar passivamente tais elementos como uma explicação concreta, definitiva ou não, para questões ainda vagas, apenas porque enseja-se  apoiar o reconhecimento acadêmico, social, cultural e/ou psicológico desses elementos.</p>
<p>5.	“A espiritualidade dá respostas em um outro nível de explicação&#8230;”, podemos entender esse nível como referente à necessidade do ser humano em preencher lacunas, em buscar conforto para seus anseios e angústias diante das incertezas sobre o futuro ou mesmo o presente. Uma necessidade diretamente relacionada ao instinto de sobrevivência característico do homem: explicar para entender e dominar, o que, na esteira da seleção natural, nos garantiu supremacia em relação a outros animais na disputa por alimento e segurança. Ainda que o pensamento mítico apresentasse explicações, por vezes, estapafúrdias, ainda assim eram explicações que permitiam ao ser humano certo controle sobre o ambiente e adversários. A Ciência não ampara sentimentos desse quilate, ao menos não da forma como o faz a Religião. O ser humano, confrontado com a finitude da vida, a insignificância perante os eventos da natureza, as injustiças sociais e as dificuldades pessoais, aparentemente, intransponíveis e inexplicáveis por meio dos recursos cognitivos e tecnológicos disponíveis, recorreu, e ainda recorre, a alternativas explicativas que atendam sua necessidade de respostas, ainda que estas se apóiem na criatividade fantástica e se deem à revelia de evidências concretas ou mesmo neguem tais evidências quando contrárias às suas postulações. Por esse caminho são construídos os artigos da fé, contudo não podemos afirmar que tais construções se deram (ou se dão) à margem da razão, em que pese o fato da crença a posteriori prescindir de tal recurso cognitivo em níveis elevados. Tentativas de explicação, em qualquer modalidade que ocorram, irão recorrer aos atributos da razão e da lógica na estruturação de seu discurso. O que se constitui como elemento diferencial entre Ciência e Religião não é, necessariamente, a ausência de processos lógico-racionais na produção de seus argumentos, mas o nível da relação razão-emoção aplicada nessa produção e a maior ou menor possibilidade de julgamento de suas proposições segundo os critérios de verdade semântica, sintática e pragmática ou conforme as emanações de escrituras sagradas e verdades reveladas. Ou seja, devemos entender o intervalo entre Ciência e Religião como uma linha descontínua extremada por cada um desses conceitos (Ciência e Religião) e em cuja “tessitura” são produzidas as afirmações, que serão melhor julgadas por critérios veritativos relativos a campos de conhecimento próprios, sendo invalidados ou fracamente avaliadas por critérios inadequados ao seu objeto. Descontínua porque, apesar da abordagem mítico-religiosa da realidade ter fomentado o nascimento do pensamento científico por representar um esforço cognitivo do ser humano em explicá-la a partir dos recursos disponíveis, tais formas de explicação não apresentam uma continuidade entre si, não se convertem naturalmente uma na outra, mas tão somente fazem parte de um mesmo processo de apreensão da realidade, ainda que por métodos dissonantes e segundo critérios contraditórios.</p>
<p>6.	“A espiritualidade tem o papel de construir valores comuns para a sociedade&#8230;dando um sentido mais profundo à vida&#8230;”, contudo, não podemos entende-la como a única ou melhor forma de se construir isso. Talvez seja, sim, a mais fácil por lidar com elementos que prescindem da racionalidade para sua validação como verdade (a razão estaria presente, apenas, na construção do argumento e das estratégias necessárias à transmissão e legitimação do conhecimento, ou seja, uma ferramenta de convencimento pela qual seria estruturada uma narrativa coerente aos ouvidos mais propensos à aceitação e à crença). Como já mencionado, anteriormente, pela razão se é plenamente possível construir valores morais tão ou mais eficientes no que diz respeito à necessidade de dar sentido à vida, bastando para isso que o homem compreenda e aceite sua finitude, o que demandará um alto grau de amadurecimento emocional e autonomia intelectual. Conquistado este status para o homem, Deus morrerá, principalmente se considerarmos que muitas das características biológicas, geneticamente determinadas, uma das quais nos tornou seres espirituais, e destinadas à autopreservação da espécie, já não são tão necessárias no ambiente em que vivemos hoje e estão desaparecendo como resultado da contínua evolução animal. Portanto, não seria absurdo dizermos que o ateísmo pode ser o próximo passo evolutivo da humanidade, acreditem os religiosos ou não no evolucionismo.</p>
<p>Prof. Msc. Walner Mamede Jr<br />
Professor de Metodologia Ciência<br />
Analista em Ciência e Tecnologia/CAPES<br />
<a href="mailto:walner.junior@capes.gov.br">walner.junior@capes.gov.br</a></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Lorayne</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-284</link>
		<dc:creator>Lorayne</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2008 14:35:45 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-284</guid>
		<description>Prezado Lenivaldo,

    Estamos afinados em nossa visão sobre o tema central do blog. Ciência e Religião são dois pilares do conhecimento humano indispensáveis e que movem a sociedade humana. E por quê a ciência neglicenciar a religião ou vice-versa?
    O mundo caminha cada vez mais rumo ao desenvolvimento; pesquisas, tecnologias cada vez mais avançadas tendem a criar um novo contexto na sociedade atual. No entanto, há uma visão um tanto materialista de tal progresso social e econômico. Temos de encontrar um modelo de desenvolvimento capaz de levar a humanidade a tranqüilidade e propriedade que tanto buscamos.
    O ser humano não se preocupa somente com as questões materiais e crescimento econômico individual; somos seres morais preocupados com a consciência e os propósitos espirituais, que tantas vezes as iniciativas sociais e econômicas tem negligenciado. Por isso, o critério econômico e material que guiam o desenvolvimento, deve ser ampliado também para as questões espirituais que dão sentido à  natureza humana.
    O civilização não precisa somente de um desenvolvimento material e econômico, é necessário mais um componente, que una, que dê valores morais que sejam compartilhados pela sociedade e direcione os seres humanos. Os princípios espirituais junto com a ciência, podem levar a uma maior possibilidade a  mudanças duradouras, não só individuais, mas coletivas. Para ser efetivo, o desenvolvimento precisa voltar-se diretamente para a vida interna e para o caráter dos seres humanos, como também para a organização da sociedade. Um desenvolvimento com propósito de transformação social que tenha enraizadas sementes como a cooperação, a compaixão, a retidão de conduta e a justiça; transformações que permearão todos os aspectos do relacionamento que dirigem a atividade humana.
     O avanço do bem estar-estar material somente decorre quando há a aplicação concreta dos preceitos espirituais como eqüidade, fidelidade e altruísmo.
     Como você mesmo citou, a ciência já tanto negligenciou a religião e quantas guerras, tantas desigualdades e sofrimento fazem parte da história da humanidade. A ciência e a religião não precisam ser conflitantes entre si. A ciência tanto contribui para os avanços da sociedade, mas que se mal usada e colocada, pode causar tanta destruição. A colaboração entre ciência e religião, pode contribuir com seus valores, a melhorias e bom uso de todo conhecimento científico para um desenvolvimento justo e de bem-estar.
    E como ciência e religião podem contribuir para esse desenvolvimento tão sonhado? A educação é mais do que importante.
    A educação deve esforçar-se para desenvolver um conjunto integrado de capacidades - técnicas, artísticas, sociais, morais e espirituais - de forma a que as pessoas possam conduzir vidas com um propósito bem definido e tornar-se agentes de uma transformação social positiva. É a criação de currículos e metodologias adequados que estimulam tais capacidades inter-relacionadas, que exigirá uma parceria efetiva entre a ciência e a religião.
    O desenvolvimento tecnológico deve refletir nas necessidades básicas dos povos do mundo. As políticas tecnológicas dos governos raramente dão atenção explícita às exigências sociais e ambientais, enquanto que as políticas voltadas a estas duas áreas raramente levam em conta as oportunidades tecnológicas. Um primeiro passo importante nessa direção é estimular a compreensão e o respeito à base de conhecimento existente em uma comunidade ou cultura.  Se o comprometimento espiritual e o princípio moral constituírem o caráter subjacente dos princípios da vida comunitária, as descobertas científicas e as inovações técnicas serão utilizadas de forma a servir para enriquecer a experiência individual e coletiva.
    A boa governança também é essencial para o desenvolvimento. Uma forma eficaz de governar é necessária se as comunidades devem manter seu equilíbrio, direcionar-se corretamente nas dificuldades, e responder criativamente aos desafios e às oportunidades que se encontram diante delas. E a justiça é o único instrumento que assegura que o acesso e as oportunidades sejam eqüitativamente distribuídos.
    Assim, '' a tarefa de construir uma sociedade global justa e pacífica deve envolver todos os membros da família humana.''
    Por isso, buscamos parcerias com diversas instituições para que essas idéias possam ser disseminadas. Há várias formas de participação, desde a distribuição de folders, como realização de seminários internos, grupos de estudos e também contribuir com suas idéias no documento Síntese Brasileiro que você encontra no blog. Continuemos nosso diálogo e encontremos os caminhos para uma colaboração mútua.

Um abraço cordial,

Lorayne Oliveira
Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento.
Fone: (61) 3364 3594  Fax (61) 3364 3470</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado Lenivaldo,</p>
<p>    Estamos afinados em nossa visão sobre o tema central do blog. Ciência e Religião são dois pilares do conhecimento humano indispensáveis e que movem a sociedade humana. E por quê a ciência neglicenciar a religião ou vice-versa?<br />
    O mundo caminha cada vez mais rumo ao desenvolvimento; pesquisas, tecnologias cada vez mais avançadas tendem a criar um novo contexto na sociedade atual. No entanto, há uma visão um tanto materialista de tal progresso social e econômico. Temos de encontrar um modelo de desenvolvimento capaz de levar a humanidade a tranqüilidade e propriedade que tanto buscamos.<br />
    O ser humano não se preocupa somente com as questões materiais e crescimento econômico individual; somos seres morais preocupados com a consciência e os propósitos espirituais, que tantas vezes as iniciativas sociais e econômicas tem negligenciado. Por isso, o critério econômico e material que guiam o desenvolvimento, deve ser ampliado também para as questões espirituais que dão sentido à  natureza humana.<br />
    O civilização não precisa somente de um desenvolvimento material e econômico, é necessário mais um componente, que una, que dê valores morais que sejam compartilhados pela sociedade e direcione os seres humanos. Os princípios espirituais junto com a ciência, podem levar a uma maior possibilidade a  mudanças duradouras, não só individuais, mas coletivas. Para ser efetivo, o desenvolvimento precisa voltar-se diretamente para a vida interna e para o caráter dos seres humanos, como também para a organização da sociedade. Um desenvolvimento com propósito de transformação social que tenha enraizadas sementes como a cooperação, a compaixão, a retidão de conduta e a justiça; transformações que permearão todos os aspectos do relacionamento que dirigem a atividade humana.<br />
     O avanço do bem estar-estar material somente decorre quando há a aplicação concreta dos preceitos espirituais como eqüidade, fidelidade e altruísmo.<br />
     Como você mesmo citou, a ciência já tanto negligenciou a religião e quantas guerras, tantas desigualdades e sofrimento fazem parte da história da humanidade. A ciência e a religião não precisam ser conflitantes entre si. A ciência tanto contribui para os avanços da sociedade, mas que se mal usada e colocada, pode causar tanta destruição. A colaboração entre ciência e religião, pode contribuir com seus valores, a melhorias e bom uso de todo conhecimento científico para um desenvolvimento justo e de bem-estar.<br />
    E como ciência e religião podem contribuir para esse desenvolvimento tão sonhado? A educação é mais do que importante.<br />
    A educação deve esforçar-se para desenvolver um conjunto integrado de capacidades - técnicas, artísticas, sociais, morais e espirituais - de forma a que as pessoas possam conduzir vidas com um propósito bem definido e tornar-se agentes de uma transformação social positiva. É a criação de currículos e metodologias adequados que estimulam tais capacidades inter-relacionadas, que exigirá uma parceria efetiva entre a ciência e a religião.<br />
    O desenvolvimento tecnológico deve refletir nas necessidades básicas dos povos do mundo. As políticas tecnológicas dos governos raramente dão atenção explícita às exigências sociais e ambientais, enquanto que as políticas voltadas a estas duas áreas raramente levam em conta as oportunidades tecnológicas. Um primeiro passo importante nessa direção é estimular a compreensão e o respeito à base de conhecimento existente em uma comunidade ou cultura.  Se o comprometimento espiritual e o princípio moral constituírem o caráter subjacente dos princípios da vida comunitária, as descobertas científicas e as inovações técnicas serão utilizadas de forma a servir para enriquecer a experiência individual e coletiva.<br />
    A boa governança também é essencial para o desenvolvimento. Uma forma eficaz de governar é necessária se as comunidades devem manter seu equilíbrio, direcionar-se corretamente nas dificuldades, e responder criativamente aos desafios e às oportunidades que se encontram diante delas. E a justiça é o único instrumento que assegura que o acesso e as oportunidades sejam eqüitativamente distribuídos.<br />
    Assim, &#8221; a tarefa de construir uma sociedade global justa e pacífica deve envolver todos os membros da família humana.&#8221;<br />
    Por isso, buscamos parcerias com diversas instituições para que essas idéias possam ser disseminadas. Há várias formas de participação, desde a distribuição de folders, como realização de seminários internos, grupos de estudos e também contribuir com suas idéias no documento Síntese Brasileiro que você encontra no blog. Continuemos nosso diálogo e encontremos os caminhos para uma colaboração mútua.</p>
<p>Um abraço cordial,</p>
<p>Lorayne Oliveira<br />
Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento.<br />
Fone: (61) 3364 3594  Fax (61) 3364 3470</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Lenivaldo Lima</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-281</link>
		<dc:creator>Lenivaldo Lima</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 17:30:31 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-281</guid>
		<description>É fantástico o conteúdo deste debate envolvendo ciência, religião e desenvolvimento. Estou lendo o material, porém estou encantado a cada página. Creio ser este o caminho para superação do paradigma iluminista de ciência que negligenciou a religião, colocando-a sobre o manto das trevas. Contudo, a história demonstrou que a ciência positivista iluminada e a religião do obscurantismo, ambas não resltaram em felicidade humana. A boa equação entre ciência, religião e desenvolvimento, quem sabe seja o paradigma da solidariedade humana a que tantos iluministas e misticos religiosos desejaram.   

Lenivaldo Lima - Diretor Geral da Escola Quilombo dos Palmares e Membro da Coordenação do Forum Brasileiro de Economia Solidária.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É fantástico o conteúdo deste debate envolvendo ciência, religião e desenvolvimento. Estou lendo o material, porém estou encantado a cada página. Creio ser este o caminho para superação do paradigma iluminista de ciência que negligenciou a religião, colocando-a sobre o manto das trevas. Contudo, a história demonstrou que a ciência positivista iluminada e a religião do obscurantismo, ambas não resltaram em felicidade humana. A boa equação entre ciência, religião e desenvolvimento, quem sabe seja o paradigma da solidariedade humana a que tantos iluministas e misticos religiosos desejaram.   </p>
<p>Lenivaldo Lima - Diretor Geral da Escola Quilombo dos Palmares e Membro da Coordenação do Forum Brasileiro de Economia Solidária.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Rev. Jerson</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-236</link>
		<dc:creator>Rev. Jerson</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 20:18:58 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-236</guid>
		<description>Recebi o material enviado pela Lorrayne e o levei para estudo e reflexõ em nossa pequena capela anglicana em Curitiba. Os retronos que recebi de várias pesoas foi positivo. A inciativa de vocês está de acordo com nossa visão, com a visão do futuro. Fazer da religião e da ciência (ambas tem um substrato messiânico:  gerar o novo Ser) companheiros é o caminho do futuro; a religião assim superará o dogmatismo e fundamentalismo exlusivista. A ciência ganhará alma e uma ética ensinada pelas Grandes Luzes. Parbéns pela iniciativa.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi o material enviado pela Lorrayne e o levei para estudo e reflexõ em nossa pequena capela anglicana em Curitiba. Os retronos que recebi de várias pesoas foi positivo. A inciativa de vocês está de acordo com nossa visão, com a visão do futuro. Fazer da religião e da ciência (ambas tem um substrato messiânico:  gerar o novo Ser) companheiros é o caminho do futuro; a religião assim superará o dogmatismo e fundamentalismo exlusivista. A ciência ganhará alma e uma ética ensinada pelas Grandes Luzes. Parbéns pela iniciativa.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Lorayne Oliveira</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-191</link>
		<dc:creator>Lorayne Oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Sep 2008 16:37:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-191</guid>
		<description>Cara Jennifer lhe enviei o material necessário via e-mail.

Um abraço.

Lorayne - Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Cara Jennifer lhe enviei o material necessário via e-mail.</p>
<p>Um abraço.</p>
<p>Lorayne - Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: jennifer muniz</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-162</link>
		<dc:creator>jennifer muniz</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2008 10:57:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-162</guid>
		<description>ola,


estou fazendo uma pesquisa escolar e gostARIA MUITO QUE VCS ME AJUDASEM EM:

DESENVOLVIMENTO,COMCLUSAO,BIOGRAFIA,INTRODUÇAO  DA RELIAGIAO E CIENCIAS OK


MUITO OBRIGADA

JENNIFER MUNIZ.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>ola,</p>
<p>estou fazendo uma pesquisa escolar e gostARIA MUITO QUE VCS ME AJUDASEM EM:</p>
<p>DESENVOLVIMENTO,COMCLUSAO,BIOGRAFIA,INTRODUÇAO  DA RELIAGIAO E CIENCIAS OK</p>
<p>MUITO OBRIGADA</p>
<p>JENNIFER MUNIZ.</p>
]]></content:encoded>
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	<item>
		<title>Por: Ana Luíza</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2007/07/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#comment-105</link>
		<dc:creator>Ana Luíza</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 May 2008 13:51:51 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/noticias/?p=26#comment-105</guid>
		<description>Gostaria de saber se;
Existi relaçao entre ciência e espiritualidade?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de saber se;<br />
Existi relaçao entre ciência e espiritualidade?</p>
]]></content:encoded>
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