Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento

Opening a Space - Parte 1/2 - Legendas em português

Opening a Space - Parte 2/2 - Legendas em português

Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento
KAMPALA-Uganda, 30 de novembro de 2007 (BWNS)

Após cinco décadas de tentativas frustradas de desenvolvimento, um grupo de ugandenses se juntou para examinar a experiência nacional e buscar abordagens eficazes.

Uma amostra representativa de líderes comunitários, pessoas responsáveis pela tomada de decisões e educadores debatem suas idéias num novo filme, lançado em outubro de 2007, perante uma platéia que incluiu o ex Primeiro Ministro Kinto Musoke e outros dignitários.

“O desenvolvimento não tem realizado seu potencial”, afirma o empreendedor Gimoro Laker-Ojok no início do filme, intitulado “Opening a Space – The Discourse on Science, Religion and Development in Uganda” (Abrindo um Espaço – o Discurso sobre Ciência, Religião e Desenvolvimento em Uganda).

“Nos anos cinqüenta e sessenta, as disparidades entre ricos e pobres não eram tão grandes na Uganda”, continua Daisy Namono, da CELSOL Consulting Services. “Precisamos nos perguntar, o que deu errado?”

“Em alguns casos, precisamos voltar à estaca zero”, diz Elizabeth Kharono, coordenadora de programas da Living Earth Uganda (Terra Viva Uganda).

Produzido pelo Institute for Studies in Global Prosperity (Instituto de Estudos em Prosperidade Global), uma organização sem fins lucrativos associada com a Bahá’í International Community (Comunidade Internacional Bahá’í), o filme tem como ponto principal que a tendência dos programas de desenvolvimento tem sido de ver os pobres como “pacotes de necessidades”, em vez de fontes de soluções.

“Eles vêem os pobres como pessoas que não têm nada para oferecer”, afirma Basil Wanzira, da Poverty Alleviation Community Development Foundation (Fundação de Desenvolvimento Comunitário para a Redução da Pobreza).

“Opening a Space” promove a idéia de que as pessoas não devem ser consideradas recipientes passivos de assistência; em vez disso, elas mesmas devem ajudar a formular políticas e produzir mudança. E devem fazer isso usando o conhecimento que adquirem, tanto da ciência quanto da religião.

“Existe a necessidade de maior participação das próprias pessoas que serão afetadas pela política”, diz no filme o dr. J. J. Otim, assessor presidencial para a agricultura. “Em Uganda, acreditamos firmemente que qualquer que seja a política que o governo desejar implementar, terá que adotar uma abordagem participativa;… ela não deve ser formulada nos gabinetes”.

Diversos outros temas surgem no filme:

  • Os seres humanos são seres espirituais; portanto, para que ocorram mudanças efetivas, as realidades espirituais devem ser consideradas, juntas com o bem estar material.
  • Ciência e religião oferecem sistemas complementares de conhecimento, ambos os quais devem ser aplicados à questão do desenvolvimento.
  • Para lidar com os muitos desafios que enfrentam, não basta que os pobres tenham acesso ao conhecimento; eles mesmos devem ajudar a gerar o conhecimento que orienta a formulação de políticas.

“As pessoas ficaram muito animadas com as possibilidades que esse diálogo poderá oferecer”, disse George Olinga, do Escritório Bahá’í Ugandense para Assuntos Externos. “O DVD está estimulando muitas novas idéias sobre maneiras novas e diferentes de pensar o desenvolvimento”.

A dra. Haleh Arbab, diretora do Institute for Studies in Global Prosperity, diz que agora Uganda tem quatro grupos de trabalho trocando idéias sobre como seria o desenvolvimento caso ele se fundamentasse nos conceitos esboçados no filme.

“Queremos que as pessoas se tornem não consumidores de pacotes oferecidos pelas diferentes organizações de desenvolvimento, e sim criadores, tomadores de decisões”, ela disse.

O Instituto encabeçado por ela tem promovido o discurso sobre ciência, religião e desenvolvimento em vários países, incluindo a Índia e o Brasil, além da própria Uganda, como parte de sua missão de explorar novos conceitos e modelos de transformação social.

3 Responses to “Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento”

  1. William Rick Says:

    Pode-se perceber num trabalho como, como ciência e religião podem trabalhar não apenas para a melhoria das condições de vida do povo de Uganda, mas de todos os seres humanos em geral

  2. Caroline Says:

    Certamente prezado William, a religião e a ciência quando trabalham em harmonia, podem promover melhoria das condições de vida material e espiritual dos seres humanos.
    A história registra que estas duas forças sempre foram às principais responsáveis pelo conhecimento que por sua vez originou o desenvolvimento. A ciência deu um rumo à coerência das leis e dos processos e tem um papel de gerir a própria sociedade. Por sua vez a religião se relaciona a questões mais profundas acerca dos desígnios e valores universais da humanidade. Quando essas duas práticas sociais da humanidade atuam juntas, os atos destrutivos cessam e se alcançam novos e altos patamares de realizações técnicas artísticas e éticas. Principalmente por se tratarem de veículos de acentuação dos desejos humanos.
    Na contemporaneidade ciência e religião são consideradas distintas e ao mesmo tempo antagônicas.
    O movimento iluminista tece suas contribuições a essa separação considerando a “fé” como objeto de alienação e fanatismo religioso, e exaltando a razão e o positivismo. Assim o materialismo exacerbado em que vive a sociedade moderna é derivado dessa ruptura entre razão e a religião
    Deveríamos tê-las como pilares da sociedade e aplicarmos por nós mesmos os auxílios dos ensinamentos religiosos em conjunto com as ferramentas que a ciência disponibiliza.
    É necessária uma compreensão das atribuições que a ciência e a religião exercem acerca do desenvolvimento e a constituição do bem estar do ser humano.

    Cordialmente,
    Caroline.
    Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento.

  3. Marta Says:

    Ola.
    Gostei do artigo acima sobre ciencia viva.
    Na minha pesquiza tambem encontrei um forum interessante onde se pode falar de ciência. Podem ver em http://www.forumrapido.com e selecionando o tema “Ciencias Vivas”. Espero que ajude.

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