Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento
quarta-feira, abril 23rd, 2008Opening a Space - Parte 1/2 - Legendas em português
Opening a Space - Parte 2/2 - Legendas em português
Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento
KAMPALA-Uganda, 30 de novembro de 2007 (BWNS)
Após cinco décadas de tentativas frustradas de desenvolvimento, um grupo de ugandenses se juntou para examinar a experiência nacional e buscar abordagens eficazes.
Uma amostra representativa de líderes comunitários, pessoas responsáveis pela tomada de decisões e educadores debatem suas idéias num novo filme, lançado em outubro de 2007, perante uma platéia que incluiu o ex Primeiro Ministro Kinto Musoke e outros dignitários.
“O desenvolvimento não tem realizado seu potencial”, afirma o empreendedor Gimoro Laker-Ojok no início do filme, intitulado “Opening a Space – The Discourse on Science, Religion and Development in Uganda” (Abrindo um Espaço – o Discurso sobre Ciência, Religião e Desenvolvimento em Uganda).
“Nos anos cinqüenta e sessenta, as disparidades entre ricos e pobres não eram tão grandes na Uganda”, continua Daisy Namono, da CELSOL Consulting Services. “Precisamos nos perguntar, o que deu errado?”
“Em alguns casos, precisamos voltar à estaca zero”, diz Elizabeth Kharono, coordenadora de programas da Living Earth Uganda (Terra Viva Uganda).
Produzido pelo Institute for Studies in Global Prosperity (Instituto de Estudos em Prosperidade Global), uma organização sem fins lucrativos associada com a Bahá’í International Community (Comunidade Internacional Bahá’í), o filme tem como ponto principal que a tendência dos programas de desenvolvimento tem sido de ver os pobres como “pacotes de necessidades”, em vez de fontes de soluções.
“Eles vêem os pobres como pessoas que não têm nada para oferecer”, afirma Basil Wanzira, da Poverty Alleviation Community Development Foundation (Fundação de Desenvolvimento Comunitário para a Redução da Pobreza).
“Opening a Space” promove a idéia de que as pessoas não devem ser consideradas recipientes passivos de assistência; em vez disso, elas mesmas devem ajudar a formular políticas e produzir mudança. E devem fazer isso usando o conhecimento que adquirem, tanto da ciência quanto da religião.
“Existe a necessidade de maior participação das próprias pessoas que serão afetadas pela política”, diz no filme o dr. J. J. Otim, assessor presidencial para a agricultura. “Em Uganda, acreditamos firmemente que qualquer que seja a política que o governo desejar implementar, terá que adotar uma abordagem participativa;… ela não deve ser formulada nos gabinetes”.
Diversos outros temas surgem no filme:
- Os seres humanos são seres espirituais; portanto, para que ocorram mudanças efetivas, as realidades espirituais devem ser consideradas, juntas com o bem estar material.
- Ciência e religião oferecem sistemas complementares de conhecimento, ambos os quais devem ser aplicados à questão do desenvolvimento.
- Para lidar com os muitos desafios que enfrentam, não basta que os pobres tenham acesso ao conhecimento; eles mesmos devem ajudar a gerar o conhecimento que orienta a formulação de políticas.
“As pessoas ficaram muito animadas com as possibilidades que esse diálogo poderá oferecer”, disse George Olinga, do Escritório Bahá’í Ugandense para Assuntos Externos. “O DVD está estimulando muitas novas idéias sobre maneiras novas e diferentes de pensar o desenvolvimento”.
A dra. Haleh Arbab, diretora do Institute for Studies in Global Prosperity, diz que agora Uganda tem quatro grupos de trabalho trocando idéias sobre como seria o desenvolvimento caso ele se fundamentasse nos conceitos esboçados no filme.
“Queremos que as pessoas se tornem não consumidores de pacotes oferecidos pelas diferentes organizações de desenvolvimento, e sim criadores, tomadores de decisões”, ela disse.
O Instituto encabeçado por ela tem promovido o discurso sobre ciência, religião e desenvolvimento em vários países, incluindo a Índia e o Brasil, além da própria Uganda, como parte de sua missão de explorar novos conceitos e modelos de transformação social.
