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	<title>Ciência, Religião e Desenvolvimento</title>
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	<description>Qual o papel que a ciência e a religião, dois inequívocos pilares do conhecimento humano, podem ter sobre os processos de desenvolvimento da sociedade brasileira?</description>
	<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 12:09:09 +0000</pubDate>
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		<title>Senado e Unesco juntos pelo Dia Mundial da Ciência pela Paz</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 11:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lorayne</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

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		<description><![CDATA[PRESIDÊNCIA
29/09/2009 - 12h30



O representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, Vincent Defourny, e o presidente do Senado, José Sarney, assinaram na manhã desta terça-feira (29) memorando de entendimento em que as duas instituições se comprometem a realizar iniciativa conjunta pelo Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>PRESIDÊNCIA</strong><br />
29/09/2009 - 12h30</p>
<div><img class="aligncenter" src="http://www.senado.gov.br/noticia/multimidia/verImagem.aspx?codImagem=177370" alt="" /></div>
<div></div>
<div>
<p class="western" align="justify">O representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) no Brasil, Vincent Defourny, e o presidente do Senado, José Sarney, assinaram na manhã desta terça-feira (29) memorando de entendimento em que as duas instituições se comprometem a realizar iniciativa conjunta pelo Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento, celebrado anualmente a 10 de novembro.</p>
<p class="western" align="justify">O compromisso firmado hoje tem como objetivos fortalecer a consciência pública do papel da ciência na promoção de sociedades sustentáveis e pacíficas; promover o intercâmbio nacional e internacional do conhecimento científico; renovar o compromisso nacional e internacional no uso da ciência em prol da sociedade; enfatizar os desafios enfrentados pela ciência; e fomentar o apoio à promoção do desenvolvimento científico.</p>
<p class="western" align="justify">O propósito do Senado e da Unesco nesse empreendimento é trabalhar para que essa data tenha impacto capaz de conscientizar o mundo sobre a importância de induzir a ciência e a tecnologia a atuarem em favor da paz no planeta. Por isso, de acordo com o documento assinado, as duas instituições deverão realizar projetos conjuntos para divulgação e valorização da atividade científica pacífica e engajada no desenvolvimento e bem-estar dos povos.</p>
<p class="western" align="justify">Senado e Unesco deverão também mobilizar estudantes brasileiros em torno dessa causa, por meio de concursos de redação, cartazes, feiras de ciência, exposições e outros recursos. E se esforçarão por buscar o engajamento da comunidade científica nas comemorações da data, com a participação de personalidades de destaque nessa área.</p>
<p class="western" align="justify">Outra idéia é instituir menção honrosa, a ser conferida anualmente a cidadãos brasileiros e instituições nacionais de destaque no emprego pacífico e desenvolvedor de progresso social pela atividade científica, com critérios definidos em regulamento próprio. Ficou também estabelecido que Senado e Unesco constituirão grupo de trabalho permanente voltado à consecução desse compromisso.</p>
<p class="western" align="justify">No mesmo sentido, ficou determinado que, no dia 12 de novembro, seis comissões permanentes do Senado se reunirão em audiência pública para debater o Dia Mundial da Ciência pela Paz e pelo Desenvolvimento.</p>
<p class="western" align="justify">Participaram da solenidade na sala de audiências da presidência do Senado, ao lado de Sarney e Defourny, os senadores Flexa Ribeiro, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), Gerson Camata (PMDB-ES), Roberto Cavalcanti (PRB-PB), José Nery (PSOL-PA), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Gilberto Goellner (DEM-MT), e Bárbara Ribeiro Santana, representante do Ministério da Ciência e Tecnologia.</p>
<p class="western" align="justify"><span style="color: #336699;"><span style="font-family: Verdana;"><span style="font-size: xx-small;">Teresa Cardoso / Agência Senado </span></span></span><br />
<a href="http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=95805&amp;codAplicativo=2" target="_blank" onclick="javascript:urchinTracker ('/outbound/article/www.senado.gov.br');">Sarney: &#8216;Ciência fez mais pela humanidade que teorias políticas&#8217;</a></p>
<p class="western" align="justify">(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)</p>
<p class="western" align="justify">95798</p>
<p class="western" align="justify"><span style="text-decoration: underline;"><strong><br />
Comentário</strong></span></p>
<p class="western" align="justify">… “Conscientizar o mundo sobre a importância de induzir a ciência e a tecnologia a atuarem em favor da paz no planeta.”</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">Os métodos científicos permite que indivíduos e instituições se tornem mais sistemáticas em termos de seus enfoques para solucionar problemas e do entendimento dos processos sociais, proporcionando-lhes grandes oportunidades para trabalhar a favor da paz em todo o planeta.<br />
O compromisso firmado entre o Senado e a Unesco em 29 de setembro é um grande e importante passo no fomento ao desenvolvimento do país, uma vez que valoriza a atividade científica pacífica e engajada no desenvolvimento e bem-estar dos povos. Dois elementos essenciais surgem nesta discussão: um é a possibilidade de o Brasil chegar à linha de frente das pesquisas nos vários campos do trabalho científico; o outro, o grau em que poderá utilizar-se destes avanços para servir às necessidades do povo brasileiro, abordando problemas específicos das diversas comunidades existentes no território nacional.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">Para a formulação de uma nova concepção de desenvolvimento social e econômico, é preemente que a ciência esteja aliada a princípios espirituais. Se trabalhados conjuntamente, ciência e espiritualidade poderão prover grandes avanços em termos do tratamento dispensado às mais profundas questões do propósito da vida e da motivação humana.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">O povo brasileiro tem demonstrado sua sensibilidade para fatores relacionados à necessidade trazer os princípios espirituais como pilares das soluções necessárias às questões e desafios enfrentados pelo país. O reconhecimento do princípio fundamental da unidade da humanidade é o que permitirá à ciência desenvolver estratégias eficientes que possam garantir que toda a população tenha acesso à justiça, educação, trabalho, saúde e outros direitos, com base na igualdade de oportunidades para mulheres e homens, de toda as raças e etnias, credos e classes sociais.</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">Cordialmente,</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">Lorayne Oliveira - Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento</p>
<p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="justify">
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>Convite Seminário - Curitiba e Recife</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2009/05/convite-seminario-curitiba-e-recife/</link>
		<comments>http://www.cienciaereligiao.org.br/2009/05/convite-seminario-curitiba-e-recife/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 27 May 2009 13:37:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>info</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

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		<description><![CDATA[Seminário Ciência, Religião e Desenvolvimento
Geografia, Religião e Desenvolvimento

Curitiba:

DIA: 28/05/2009
LOCAL
: SALÃO NOBRE DO SETOR DE TECNOLOGIA – CENTRO POLITÉCNICO – UFPR
PREDIO DE ADMINSTRAÇÃO 2º ANDAR.
AV. CEL. FRANCISCO H DOS SANTOS, 100
JARDIM DAS AMÉRICAS - CURITIBA – PR
9h - Abertura
10h - Mesa 1 Geografia, Religião e Desenvolvimento
Prof. Dr. Luis Lopes Diniz Filho (DGEOG-UFPR)
Prof. Dr. Wolf-Dietrich Sahr (DGEOG-UFPR)
Prof. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Seminário Ciência, Religião e Desenvolvimento<br />
Geografia, Religião e Desenvolvimento<br />
</strong></p>
<h2>Curitiba:</h2>
<p><a href='http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/seminario_curitiba.jpg'><img src="http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/seminario_curitiba.jpg" alt="" title="Cartaz - Curitiba" width="500" height="713" class="aligncenter size-full wp-image-45" /></a></p>
<p>DIA: 28/05/2009</p>
<p>LOCAL<br />
: SALÃO NOBRE DO SETOR DE TECNOLOGIA – CENTRO POLITÉCNICO – UFPR</p>
<p>PREDIO DE ADMINSTRAÇÃO 2º ANDAR.<br />
AV. CEL. FRANCISCO H DOS SANTOS, 100<br />
JARDIM DAS AMÉRICAS - CURITIBA – PR</p>
<p>9h - Abertura</p>
<p>10h - Mesa 1 Geografia, Religião e Desenvolvimento<br />
Prof. Dr. Luis Lopes Diniz Filho (DGEOG-UFPR)<br />
Prof. Dr. Wolf-Dietrich Sahr (DGEOG-UFPR)<br />
Prof. Iradj Roberto Eghrari (Instituto de Estudos sobre a Prosperidade Global)<br />
Prof. Dr. Sylvio Fausto Gil Filho (DGEOG-UFPR) (coordenação)</p>
<p>14h - Mesa 2 Educação, Cultura, Religião e Desenvolvimento<br />
Profª Drª Araci  Asinelli da Luz (Educação - UFPR)<br />
Prof. Dr. Euclides Machi (História - UFPR)<br />
Prof. Dr. Feizi Milani (INPAZ)<br />
Prof. Dr. Sergio Junqueira (Educação - coordenação  PUC-PR)</p>
<p>16h30 - Grupo de trabalho:</p>
<p>19h30 - Conferencia de Encerramento<br />
“Ciência, Religião, Desenvolvimento: Perspectivas de um Novo Modelo de Governança”<br />
Gilberto Palma (INSTITUTO ÁGORA)</p>
<h2>Recife:</h2>
<p><a href='http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/seminario_recife.jpg'><img src="http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/seminario_recife.jpg" alt="" title="Cartaz - Recife" width="500" height="713" class="aligncenter size-full wp-image-45" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Assista ao vídeo de Dan Dannet, filósofo e cientista, que palestra a cerca de ciência e religião.</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2009/03/dan-dannet-filosofo-cientista-ciencia-e-religiao/</link>
		<comments>http://www.cienciaereligiao.org.br/2009/03/dan-dannet-filosofo-cientista-ciencia-e-religiao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 Mar 2009 14:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>info</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

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		<description><![CDATA[Dan afirma que mesmo a ciência tendo bases biológicas, não há que se negar, que o homem também tem sido influenciado por religiões há milhares de anos. As religiões são importantes fenômenos naturais que deveriam ser estudadas com a mesma intensidade que os outros fenômenos naturais das ciências, pois elas tem imenso poder social nas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dan afirma que mesmo a ciência tendo bases biológicas, não há que se negar, que o homem também tem sido influenciado por religiões há milhares de anos. As religiões são importantes fenômenos naturais que deveriam ser estudadas com a mesma intensidade que os outros fenômenos naturais das ciências, pois elas tem imenso poder social nas instituições. Por isso, elas também deveriam fazer parte na educação de crianças no mundo inteiro, tanto em escolas públicas, quanto nas privadas.</p>
<p>A idéia é criar um currículo de educação religiosa, onde todos estudem as diversas religiões como: sua cultura, músicas, proibições, doutrinas, etc, na tentativa de evitar certos conflitos, e até mesmo firmar a democracia, pois ela depende de mostrar o lado geral de todas as coisas, inclusive todas as religiões.</p>
<p>Dan ainda afirma que não se pode manter crianças e adultos ignorantes a outras fés, pois é possível ter diferentes opiniões sobre a criação e evolução do mundo a partir da ciência e da religião. O ensinamento das religiões pode ajudar a humanidade a escapar de certas armadilhas, e assegurar a pluralidade de idéias sem conflitos nessa linha.</p>
<p><object width="334" height="326"><param name="movie" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf"></param><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="wmode" value="transparent"></param><param name="bgColor" value="#ffffff"></param><param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talks/embed/DanDennett_2006-embed_high.flv&#038;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/DanDennett-2006.embed_thumbnail.jpg&#038;vw=320&#038;vh=240&#038;ap=0&#038;ti=94" /><embed src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" pluginspace="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" bgColor="#ffffff" width="334" height="326" allowFullScreen="true" flashvars="vu=http://video.ted.com/talks/embed/DanDennett_2006-embed_high.flv&#038;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/DanDennett-2006.embed_thumbnail.jpg&#038;vw=320&#038;vh=240&#038;ap=0&#038;ti=94"></embed></object><br />
<small><a href="http://www.ted.com/talks/view/id/94" onclick="javascript:urchinTracker ('/outbound/article/www.ted.com');">http://www.ted.com/talks/view/id/94</a></small></p>
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		</item>
		<item>
		<title>Convite: Mesa de diálogo durante o Fórum Social Mundial</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2009/01/convite-mesa-de-dialogo-durante-o-forum-social-mundial/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Jan 2009 10:58:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>info</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

		<category><![CDATA[fsm]]></category>

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		<description><![CDATA[
27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009 - Belém - Pará – Brasil
Temos o prazer de convidá-lo á participar da mesa de diálogo sobre o tema Ciência, Religião e Desenvolvimento promovido pelo Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos a se realizar no Fórum Social Mundial 2009 em Belém do Pará.
O evento acontecerá [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/banner_forum.gif" alt="" title="banner_forum" width="117" height="45" class="alignnone size-medium wp-image-40" /><br />
<small>27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009 - Belém - Pará – Brasil</small></p>
<p>Temos o prazer de convidá-lo á participar da mesa de diálogo sobre o tema Ciência, Religião e Desenvolvimento promovido pelo Fórum Nacional de Educação em Direitos Humanos a se realizar no Fórum Social Mundial 2009 em Belém do Pará.</p>
<p>O evento acontecerá na Universidade Federal do Pará - UFPA, Nb, N3, no período 3 (vespertino). </p>
<p>Contamos com sua participação!</p>
<p>Mais informações no site:<br />
<a href="http://www.fsm2009amazonia.org.br/" >http://www.fsm2009amazonia.org.br/</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Governança eficaz é tema de debate entre autoridades do país</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2008/12/governanca-eficaz-e-tema-de-debate-entre-autoridades-do-pais/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 19:17:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>info</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

		<category><![CDATA[debate]]></category>

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		<description><![CDATA[
Brasília, 13 de novembro - A Comunidade Bahá’í do Brasil patrocinou um debate sobre governança que contou com a participação da Senadora Serys Slhessarenko/MT, do Secretário Municipal do Meio-Ambiente de São Paulo e ex-Deputado Federal, Eduardo Jorge, e a Secretária Executiva do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Sra. Suylan Medlej. O evento ocorreu em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href='http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/img_4920.jpg'><img src="http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/img_4920-150x150.jpg" alt="" title="" width="150" height="150" class="alignleft size-thumbnail wp-image-38" /></a><br />
Brasília, 13 de novembro - A Comunidade Bahá’í do Brasil patrocinou um debate sobre governança que contou com a participação da Senadora Serys Slhessarenko/MT, do Secretário Municipal do Meio-Ambiente de São Paulo e ex-Deputado Federal, Eduardo Jorge, e a Secretária Executiva do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Sra. Suylan Medlej. O evento ocorreu em Brasília, na Sede Nacional Bahá’í. </p>
<p>O debate teve como base o documento “Um Arcabouço Conceitual para o avanço de Pesquisa e Conhecimento sobre Governança Eficaz”, desenvolvido pelo Instituto de Estudos sobre Prosperidade Global, com sede em Nova Iorque, EUA. Os participantes discutiram o tema no marco da interdependência global, justiça e equidade, e o fideicomisso coletivo.</p>
<p>“É responsabilidade dos governantes criar espaços para a interação na diversidade, gerando consciência de unidade e interdependência”, afirmou o Secretário Eduardo Jorge.<a href='http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/img_4916.jpg'><img src="http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/img_4916-150x150.jpg" alt="" title="img_4916" width="150" height="150" class="alignright size-thumbnail wp-image-37" /></a></p>
<p>Outros assuntos relacionados ao tema de governança foram lembrados durante o debate, como a questão da política partidária. A Senadora Serys afirmou não acreditar neste sistema e muito menos na política familiar, pela qual parentes de políticos passam a assumir posições dentro do governo ao ocupar cargos de confiança.  </p>
<p>Atualmente, a Comunidade Bahá&#8217;í do Brasil está desenvolvendo, com o apoio do Instituto de Estudos sobre a Prosperidade Global, um novo documento com as percepções brasileiras sobre governança. <a href='http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/img_4921.jpg'><img src="http://www.cienciaereligiao.org.br/wp-content/img_4921-150x150.jpg" alt="" title="" width="150" height="150" class="alignright size-thumbnail wp-image-36" /></a></p>
<p>Este evento faz parte de uma série de debates que o Instituto de Estudos para a Prosperidade Global está promovendo através de sua representação no Brasil, sobre o tema da governança. E objetiva produzir um documento com as percepções brasileiras a cerca do tema.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>NOVO: Um Arcabouço Conceitual para o Avanço de Pesquisa e Conhecimento Sobre a Governança Eficaz</title>
		<link>http://www.cienciaereligiao.org.br/2008/04/um-arcabouco-conceitual-para-o-avanco-de-pesquisa-e-conhecimento-sobre-a-governanca-eficaz/</link>
		<comments>http://www.cienciaereligiao.org.br/2008/04/um-arcabouco-conceitual-para-o-avanco-de-pesquisa-e-conhecimento-sobre-a-governanca-eficaz/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 18:25:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>info</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cienciaereligiao.org.br/23/um-arcabouco-conceitual-para-o-avanco-de-pesquisa-e-conhecimento-sobre-a-governanca-eficaz/</guid>
		<description><![CDATA[O Instituto para Estudos de Prosperidade Global é uma entidade dedicada à sistematização do conhecimento gerado por indivíduos e organizações que estão explorando maneiras de promover a prosperidade e bem-estar dos povos do mundo. Para esse fim, o Instituto busca desenvolver insights e estratégias de desenvolvimento, planos e programas eficazes que atentem para as dimensões [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Instituto para Estudos de Prosperidade Global é uma entidade dedicada à sistematização do conhecimento gerado por indivíduos e organizações que estão explorando maneiras de promover a prosperidade e bem-estar dos povos do mundo. Para esse fim, o Instituto busca desenvolver insights e estratégias de desenvolvimento, planos e programas eficazes que atentem para as dimensões  material e espiritual da existência humana.</p>
<p>Questões relacionadas à governança em nível local, nacional e internacional são cruciais para o avanço da prosperidade material e do bem-estar espiritual. Portanto, o Instituto está desenvolvendo um marco conceitual para o avanço da pesquisa e conhecimento referentes ao desenvolvimento de estruturas e processos de governança eficazes. O objetivo é de identificar aquelas características chaves da governança eficaz que possam ser observadas, descritas, fomentadas, avaliadas e aperfeiçoadas na prática. O marco conceitual esboçado abaixo pretende orientar e guiar esse esforço.</p>
<p><span id="more-31"></span><br />
<strong>Princípios Centrais</strong></p>
<p>O arcabouço conceitual que está sendo aplicado neste projeto se deriva de um conjunto de princípios centrais que guiam e orientam a abordagem à governança que caracteriza o Instituto. Estes princípios são unidade e interdependência, justiça e eqüidade, e fideicomisso coletivo, cada um dos quais é detalhado abaixo.</p>
<p><em>Unidade e Interdependência</em></p>
<p>A característica marcante da presente etapa da história humana é a intensificação da interdependência global. As formas de organização social que deixam de levar isso em consideração mostram der disfuncionais e anacrônicas. Hoje, a harmonização e coordenação das atividades em nível local, nacional e internacional são requisitos essenciais para a prosperidade e bem-estar. Nesse contexto, cada vez mais as abordagens ao desenvolvimento social e econômico terão que ser orientadas pelo princípio da unicidade da humanidade para produzir resultados efetivos e duradouros.</p>
<p>A percepção de que a humanidade constitui um único povo, com interesses e aspirações compartilhadas, parece um tanto evidente; contudo, coloca um desafio fundamental aos pressupostos e práticas tradicionais no campo da governança. Semelhantemente ao corpo humano, o corpo cada vez mais interdependente da humanidade se compõe de diversos elementos cujo bem-estar somente pode ser atingido mediante a integração e coordenação. Nenhuma célula vive separada do corpo humano, e o bem-estar de cada célula depende do bem-estar do todo. Ao mesmo tempo, é a unidade e interdependência das diversas células do corpo que permite a plena realização das distintas capacidades inerentes em cada.</p>
<p>A unidade orgânica implícita nessa analogia tem profundas implicações para as estruturas e processos de governança nas comunidades em todos os níveis. Tais implicações podem melhor ser apreciadas ao refletirmos sobre a função do poder nos assuntos humanos. Freqüentemente, a governança tem se caracterizado por expressões de poder competitivas e carregadas de conflito. Sem dúvida, elas tiveram um papel na promoção do desenvolvimento humano entre grupos sociais poderosos, cujos interesses elas privilegiaram. Contudo, tais manifestações litigiosas do poder mostram ser inadequadas sob as condições de elevada interdependência social e ecológica, em que o bem-estar de todos os segmentos de uma comunidade depende crescentemente do bem-estar do organismo social inteiro. Tais condições exigem o desenvolvimento de novas modalidades de governança em todos os níveis, derivadas do exercício unificador e solidário do poder.</p>
<p>A unicidade da humanidade, e o exercício do poder dela derivada, têm implicações profundas para uma ampla variedade de estruturas, processos e relações sociais. Dentro das estruturas e processos de governança, as implicações para a igualdade de gênero oferecem uma ilustração vital desse princípio. Como os membros direito e esquerdo do corpo da humanidade, o homem e a mulher exercem funções complementares, e o bem-estar de cada um depende daquele do outro. No entanto, no mundo inteiro, a mulher permanece excluída de processos significativos de tomada de decisões no lar, na comunidade local e nas arenas nacionais e internacionais. Somente quando ambos os gêneros contribuírem igualmente na governança e coordenação dos assuntos humanos em todos os níveis é que as comunidades efetivamente avançarão e progredirão.</p>
<p>O exercício solidário do poder possui, igualmente, o potencial de unificar segmentos da sociedade que tenham sido inseridos em relacionamentos antagônicos e improdutivos pelos conflitos no exercício do poder. É claro que dentro do organismo social, a unidade não significa uniformidade. Pelo contrário, é precisamente a diversidade das partes componentes do corpo humano que permite a plena realização da sua capacidade coletiva. Semelhantemente, nas sociedades humanas, a diversidade é fonte de capacidade, criatividade, produtividade, elasticidade e adaptação coletivas. Somente quando os diversos segmentos da sociedade humana contribuírem igualmente na governança e coordenação dos assuntos humanos é que a verdadeira prosperidade e bem-estar serão alcançados.</p>
<p><em>Justiça e Eqüidade</em></p>
<p>A justiça e a eqüidade são os únicos meios pelos quais a unidade pode ser mantida dentro de um organismo social interdependente. Em nível individual, a alma humana é dotada da capacidade de imparcialidade – que permite que cada um de nós distinga a justiça e a eqüidade em nossas interações e relações com os outros. Em nível grupal, a preocupação com justiça e eqüidade é o compasso indispensável na tomada de decisões coletiva. É a única maneira de realizar e sustentar a unidade de pensamento e ação. No planejamento e implementação dos planos e programas de desenvolvimento, somente aqueles que são justos e eqüitativos podem suscitar o comprometimento e o apoio duradouro das comunidades.</p>
<p>Mais uma vez, as implicações para a governança podem ser apreciadas no tocante à função do poder nos assuntos humanos. Quando a governança é representada como uma luta pelo poder, ela resulta, na melhor das hipóteses, em paternalismo, e, na pior, em dominação, opressão e exploração. Isso resulta porque é inerente ao conflito de poder contrapor um segmento da sociedade a outro. O resultado desse conflito é determinado pela distribuição do poder na sociedade – o que coloca os ganhadores contra os perdedores. As manifestações litigiosas do poder levam, portanto, à injustiça e iniqüidade, pois no jogo de competição entre os grupos de interesse, os interesses e as aspirações dos grupos sociais mais impotentes são subordinados ao mais estreito auto-interesse percebido pelos mais poderosos e às diretivas emitidas pelos mesmos.</p>
<p>Portanto, os princípios de justiça e eqüidade exigem novas modalidades de governança baseadas no exercício solidário do poder. A fim de fomentar a prosperidade e bem-estar humanos, a governança deve servir e apoiar a função de empoderamento mútuo. Onde distribuições desiguais do poder são herdadas do passado, processos de empoderamento assistido podem também ser precisos, onde os grupos sociais mais privilegiados trabalhem em colaboração com os menos privilegiados para fomentarem os objetivos de justiça e eqüidade pelos quais os interesses de longo prazo que eles tenham em comum possam ser realizados. Claramente, essa exigência se aplica à correção das iniqüidades entre homens e mulheres herdadas do passado, e também daquelas entre os diferentes grupos étnicos e classes sócio-econômicas. No contexto da governança, isso significa, entre outras coisas, a plena inclusão e parceria entre todos os grupos no planejamento e implementação de estratégias e projetos de desenvolvimento.</p>
<p><em>Fideicomisso Coletivo</em></p>
<p>Já que a humanidade é uma só, todo membro da raça humana nasce no mundo como um fideicomisso do todo e, por sua vez, cada pessoa tem uma responsabilidade pelo bem-estar de toda a humanidade. Essa curadoria coletiva constitui o alicerce moral da maior parte dos outros direitos humanos. Proteção contra danos, a segurança da família e do lar, a propriedade de bens e o direito à privacidade estão todos implícitos nesse princípio de fideicomisso, assim como também as obrigações da comunidade de oferecer oportunidades e os meios de educação e emprego, atenção à saúde física e mental, seguridade social, salários justos, descanso e recreação, e muitas outras expectativas razoáveis que garantam que os membros individuais do organismo social realizem seu potencial.</p>
<p>O princípio de fideicomisso coletivo apóia, também, o direito de cada pessoa de esperar que aquelas condições culturais essenciais à sua identidade sejam protegidas. Tal como o papel do conjunto genético na vida biológica da humanidade e seu meio ambiente, a imensa riqueza de diversidade cultural que caracteriza a humanidade é vital para o desenvolvimento social e econômico da raça humana e para o atingimento da prosperidade e bem-estar de todas as pessoas. Ela representa uma herança que deve ser liberada para dar seus frutos nesta era de interdependência. No contexto da governança, isso significa, entre outras coisas, que as diversas manifestações culturais devem poder interagir entre si, enriquecendo-se mutuamente, livres da manipulação para fins políticos partidários. Mais uma vez, isso só pode ser alcançado mediante o exercício solidário do poder, com a plena inclusão e parceria de ambos os gêneros e todos os grupos sociais.</p>
<p><strong>Enfoque da Investigação</strong></p>
<p>A fim de traduzir esses princípios orientadores num arcabouço para pesquisa, o Instituto identificou três áreas de prática relacionadas à governança, que serão o enfoque inicial das suas investigações. Estas áreas são a estrutura e seleção de lideranças e a autoridade; os processos de aprendizagem coletiva, tomada de decisões e implementação; e a capacitação e educação para a governança.</p>
<p><em>A Estrutura e Seleção de Lideranças e a Autoridade</em></p>
<p>Num corpo social interdependente, estruturas eficazes de liderança e autoridade são essenciais para a gestão dos recursos, a formulação de objetivos e planos coerentes, e a coordenação das ações coletivas. Tais estruturas devem pesar os benefícios da coordenação centralizada de questões que exijam a mesma versus o empoderamento, a vitalidade e o comprometimento alcançado quando as decisões são tomadas em foros tão locais quanto possível. Por sua vez, a eficácia de tais estruturas depende, em grande parte, da natureza dos processos pelos quais as lideranças são selecionadas e a autoridade é conferida. Quando tais processos se caracterizam pela busca de poder mediante conflito ou competição, os resultados tendem, na melhor das hipóteses, a trazer discórdia e, na pior, a serem opressivas, pelos motivos acima expostos. Além disso, por razões aludidas por outros, as disputas pelo poder podem provocar a influência corruptora do dinheiro, diminuir a inclusão e participação dos diversos segmentos da sociedade, reduzir questões políticas complexas a plataformas políticas simplistas, desconsiderar o bem-estar das pessoas geograficamente distantes e os interesses das futuras gerações e, geralmente, ter um efeito corrosivo no espírito humano.</p>
<p>O exercício competitivo do poder na governança humana chegou, portanto, aos limites de sua eficácia. Nesse contexto, o Instituto busca identificar as inovações na estrutura e seleção de lideranças e na autoridade e aprender delas. Tais inovações são dos seguintes tipos:</p>
<ul>
<li>No tocante à estrutura, o Instituto busca estudar e aprender de formas institucionais inclusivas, colaborativas, não partidárias e mutuamente empoderadoras. De maneira semelhante, o Instituto busca estudar os códigos institucionais (constituições faladas ou escritas, leis, regras e normas) que apóiam e possibilitam a manutenção de tais formas institucionais dentro das comunidades.
</li>
<li>Com relação à seleção de lideranças e à concessão de autoridade, é útil distinguir entre processos de eleição e de nomeação – ambas as quais exercem funções importantes. Em ambos os contextos, o Instituto busca estudar os processos que estabeleçam postos de serviço e fideicomisso, em vez de posições de privilégio e paternalismo, e aprender dos mesmos. Esses são processos que selecionam os indivíduos com base em mérito, habilidades comprovadas, integridade moral e qualidades espirituais, no lugar de conexões sociais, riqueza e poder, ego e oportunismo ou sofisticação retórica; e processos que sejam plenamente inclusivos de ambos os gêneros e todos os grupos sociais. Com respeito aos processos eleitorais em particular, o Instituto busca estudar processos que sejam unificadores em vez de causar desarmonia, colaborativos em vez de competitivos, solidários em vez de litigiosos. O Instituto se interessa por processos eleitorais que ofereçam aos eleitores verdadeira liberdade de escolha, exercida mediante o voto secreto, livre de pressões externas. Rejeita, igualmente, a teoria e a prática do partidarismo, junto com os instrumentos de nomeação, levantamento de fundos e campanhas associados com as formas competitivas de democracia, e que resultam em seu mau funcionamento e corrupção. Alternativas inovadoras estão emergindo que são democráticas em sua essência, tanto em espírito quanto na prática, ainda que não partidárias e não competitivas; são essas o objeto de nossa investigação.</li>
</ul>
<p><em>Processos de Tomada de Decisões Coletiva, Implementação e Aprendizagem Reflexiva</em></p>
<p>Num corpo social interdependente, a prosperidade e bem-estar dependem também de processos eficazes e maduros relacionados à tomada de decisões coletiva, implementação e aprendizagem reflexiva. Essas são intimamente relacionadas, e processos cíclicos permitem que as comunidades concebam e executem planos, ajustando-os ou aperfeiçoando-os à luz da experiência prática.</p>
<p>No tocante à tomada de decisões coletiva, o Instituto acredita que os modelos convencionais de disputa e discussão, enraizados no partidarismo e egoísmo, estão provando serem inadequados aos desafios complexos ora enfrentados pelas comunidades interdependentes. Buscamos, portanto, estudar processos unificadores e mutuamente empoderadores, tanto dentro das instituições formais de governança quanto em foros comunitários mais informais e grupos pequenos, aprendendo dos mesmos. Tais tipos de processos de tomada de decisões eficazes e maduras requerem a investigação sincera, sistemática e colaborativa das questões. Esses processos são enriquecidos pela participação de indivíduos que tragam à mesa de discussão seus diferentes antecedentes, perspectivas e insights, em espírito de serviço, com uma postura humilde de desprendimento das idéias preconcebidas e dos interesses. Tais processos são permeados pelos dados relevantes levantados e pelos diversos arcabouços para a interpretação de tais dados que são solicitados. São guiados pela identificação e aplicação de princípios morais ou espirituais tais como aqueles discutidos acima. São também responsivos aos insumos e à retro alimentação da comunidade maior, porém protegidos contra manipulação e pressões por parte de grupos de interesse poderosos e egoístas. Ao mesmo tempo, esses processos precisam das contribuições de indivíduos de experiência comprovada e integridade moral que possam assegurar que a consulta seja iluminada pela luz do conhecimento e se beneficie pela força da sabedoria acumulada e insights espirituais que são características dos doutos. Processos decisórios eficazes e maduros caracterizados por tais qualidades permitem que os grupos alcancem coerência e foco, formulem objetivos comuns, administrem os recursos coletivos, promovam estratégias de desenvolvimento comunitário e mudança, angariem a boa vontade e o apoio de todos os membros da comunidade, mobilizem os diversos talentos e capacidades dentro da comunidade e fomentem um espírito de iniciativa e empreendedorismo na comunidade inteira.</p>
<p>No contexto formal e institucional de tomada de decisões, atenção especial deve ser prestada aos processos comunitários de insumo e retro alimentação que permeiam a tomada de decisões nesse nível. Nesse particular, o Instituto busca estudar os processos abertos, participativos, inclusivos e autênticos, aprendendo com eles. É lastimável que as consultas às comunidades tenham sido frequentemente usadas por governos paternalistas como exercícios de relações públicas destinadas a criarem a ilusão de participação comunitária, para fins de legitimação de políticas e programas já decididos atrás de portas fechadas. Práticas insinceras como essas são sintomas de uma cultura de desavença que torna o governo pouco mais do que um instrumento nas mãos da elite do poder. Em contraste, onde existem processos genuínos de consulta comunitária, eles suprem os organismos governantes responsáveis com insumos essenciais e mecanismos de retro alimentação para fornecer informações para a tomada de decisões. Para serem eficazes, tais processos devem incluir participantes originários de todos os grupos sociais que serão afetados pelas decisões que serão tomadas. Da mesma maneira, tais processos devem ser unificadores e mutuamente empoderadores. Mais uma vez, há muito que aprender sobre processos dessa natureza.</p>
<p>No tocante à implementação das decisões, o Instituto busca estudar os processos caracterizados por ações unificadoras e mutuamente empoderadoras, aprendendo delas. Até as melhores decisões podem ser minadas ou sabotadas pela cultura de conflito e protesto tão prevalecente no mundo de hoje. Manifestações de resistência e oposição às autoridades governantes são, em parte, respostas naturais à corrupção e injustiça que hoje caracterizam o exercício competitivo de poder e autoridade. Consequentemente existe a necessidade de processos mais justos e maduros para a seleção de lideranças e tomada de decisões, conforme discutida acima, mediante os quais os órgãos de governo possam ganhar o afeto, confiança e apoio daqueles que foram convocados para servir. </p>
<p>Por outro lado, manifestações de resistência e oposição na fase de implementação das decisões podem também refletir arraigadas atitudes egoístas em relação às mordomias e à competição entre grupos de interesse. Em face de tais atitudes egoístas e desagregadoras, é virtualmente impossível realizar ações coletivas articuladas, das quais dependem a prosperidade e bem-estar humanos. Nesse particular, o Instituto busca estudar os processos maduros de resposta e apoio comunitários, caracterizados pelo espírito de aprendizagem em ação, mediante os quais decisões justas e eqüitativas são implementadas, avaliadas na prática e aperfeiçoadas se necessário, de maneira unificada, coordenada e mutuamente empoderadora.</p>
<p>Para ser eficaz, o espírito de aprendizagem em ação acima referido exige, por sua vez, a adoção de processos sistemáticos para a reflexão coletiva sobre a ação, e sobre as decisões que guiam à ação, para que a aprendizagem possa ser cumulativa e as decisões possam ser ajustadas ou aperfeiçoadas à luz da experiência. Nesse contexto, o Instituto busca estudar abordagens comunitárias à aprendizagem em ação. A característica marcante de tais abordagens é a capacidade de auto-reflexão sobre a ação, ou a capacidade de experimentação sistemática, análise, avaliação e aperfeiçoamento dos planos. Essa capacidade não é fácil de desenvolver. No entanto, a capacidade de aprendizagem auto-reflexiva e investigação é, em última análise, o que empodera as comunidades e garante que seus planos e processos de desenvolvimento sejam sustentáveis e adaptativas e continuamente avancem. O Instituto vê isso, portanto, como um dos mais importantes, porém menos compreendidos, aspectos de governança e desenvolvimento comunitários.</p>
<p><em>Capacitação e Educação para Governança</em></p>
<p>A eficácia das estruturas e processos acima referidos depende, em última análise, dos valores, qualidades e habilidades das pessoas que neles participam. Nesse sentido, o Instituto não compartilha da opinião de que os seres humanos sejam incorrigivelmente corruptos, egoístas e agressivos e, portanto, incapazes de desenvolver os atributos maduros exigidos pela governança eficaz. Os seres humanos possuem o potencial para egoísmo e altruísmo, conflito e cooperação. Quais aspectos da natureza serão mais plenamente desenvolvidos depende, em grande parte, de nosso meio cultural, inclusive a educação e capacitação que recebemos. Em outras palavras, os atributos humanos podem ser cultivados. Além disso, o Instituto entende o relacionamento entre o indivíduo e as instituições como uma relação dialética. Os indivíduos se desenvolvem em contextos institucionais, assim como o desenvolvimento das instituições depende dos indivíduos que nelas participam. Processos significativos e duradouros de transformação social devem, portanto, atender simultaneamente às dimensões individuais e institucionais de mudança.</p>
<p>Nesse contexto, o Instituto busca estudar aqueles programas de educação moral, intelectual e espiritual que apóiem a governança eficaz, aprendendo deles. Tais programas poderão focalizar a cultivação de virtudes tais como a confiabilidade, honestidade, integridade, abnegação e humildade, bem como o desenvolvimento de destrezas e habilidades tais como a capacidade de auto-expressão e o exercício de uma madura etiqueta de expressão, a capacidade de ouvir atentamente os outros e fomentar a externalização de diversos pontos de vista e percepções daqueles historicamente privados do direito de se expressar, a capacidade de aplicar os métodos de pesquisa sistemática na investigação de questões ou problemas complexos, e a capacidade de elevar o discurso ao nível de princípios morais e ser guiado por tais princípios na formulação das decisões. Esses programas poderão também educar as pessoas no tocante aos aspectos práticos da participação em processos específicos de governança eficaz, tais como a maneira de eleger lideranças que possuam as qualidades necessárias à governança eficaz, como organizar e contribuir para reuniões efetivas para consulta comunitária ou tomar decisões conjuntas de maneira colaborativa e orientada por princípios.</p>
<p>Outros atributos que parecem servir aos processos de governança eficaz, podendo ser fomentado mediante capacitação e educação, incluem uma atitude de aprendizagem e orientação para a verdadeira busca da verdade; um espírito de abertura e inclusão no trato com os outros; uma ética de trabalho caracterizada pelo espírito de serviço aos outros; e uma atitude de paciência, flexibilidade e resiliência ao enfrentar dificuldades e reversos. Acima de tudo, abordagens de governança unificadoras e mutuamente empoderadoras somente podem ser desenvolvidas quando se cultiva um clima de confiança e respeito mútuos, livre de hábitos prejudiciais como a maledicência, que envenenam a atmosfera nas organizações e comunidades. Mais uma vez, há muito que aprender sobre como as comunidades podem cultivar esses atributos entre seus diversos membros.</p>
<p><strong>Questões Estruturantes</strong></p>
<p>A investigação de cada área acima identificada será permeada pelos princípios centrais tratados na primeira seção deste arcabouço conceitual. A fim de realizar isso, o Instituto está levantando uma série de questões para estruturar e guiar a investigação. Como ponto de partida, tais questões incluem as seguintes, sem se limitar a elas:</p>
<ul>
<li>Até que ponto os protagonistas do desenvolvimento – indivíduos, instituições e comunidades – são guiados pelos princípios de unidade e interdependência, justiça e equidade, e fideicomisso coletivo? Como é que os indivíduos, instituições e comunidades entendem esses princípios? Como os operacionalizam nas três áreas de governança focalizadas na presente investigação? Como é isso na prática?</li>
<li>Como é que os indivíduos, instituições e comunidades conceituam o poder? De que maneira os protagonistas operacionalizam o poder nas três áreas de governança focadas por esta investigação? Como é isso na prática?</li>
<li>O que motiva os indivíduos, instituições e comunidades a se engajarem nas estruturas e processos de governança eficaz, aperfeiçoando-os também? Donde derivam propósito, comprometimento e sentido com respeito a isso?
</li>
<li>Que papel desempenha a ciência, como um sistema de conhecimento e prática, nas três áreas de foco identificadas acima? Qual é o papel da religião, como um sistema complementar de conhecimento e prática, nessas três áreas? Na prática, como é a aplicação do conhecimento científico e religioso nessas três áreas?</li>
</ul>
<p><strong>Um Convite ao Diálogo, Colaboração e Investigação Coletiva</strong></p>
<p>O escopo dessa iniciativa de pesquisa extrapola a capacidade de uma única organização esgotá-lo. Entretanto, esforços significativos e duradouros de realizar o desenvolvimento social e econômico, dessa forma promovendo a prosperidade e bem-estar humanos, não podem desconsiderar essas questões. A fim de adiantar a pesquisa e a produção de conhecimento nesse sentido, os passos iniciais do Instituto irão incluir uma série de estudos de caso destinados a fornecer ilustrações práticas dos princípios, estruturas e processos esboçados no Arcabouço Conceitual acima. O Instituto também procura engajar as organizações com opiniões semelhantes nessa linha de pesquisa e em processos contínuos de diálogo que promovam avanços na compreensão e prática humanas, no ponto de conexão entre governança e desenvolvimento.</p>
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		<item>
		<title>Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 13:56:31 +0000</pubDate>
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Opening a Space - Parte 2/2 - Legendas em português

Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento
KAMPALA-Uganda, 30 de novembro de 2007 (BWNS)
Após cinco décadas de tentativas frustradas de desenvolvimento, um grupo de ugandenses se juntou para examinar a experiência nacional e buscar abordagens eficazes.
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<h3>Opening a Space - Parte 2/2 - Legendas em português</h3>
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<p><strong>Ugandenses estudam abordagens ao desenvolvimento</strong><br />
<em>KAMPALA-Uganda, 30 de novembro de 2007 (BWNS)</em></p>
<p>Após cinco décadas de tentativas frustradas de desenvolvimento, um grupo de ugandenses se juntou para examinar a experiência nacional e buscar abordagens eficazes.</p>
<p>Uma amostra representativa de líderes comunitários, pessoas responsáveis pela tomada de decisões e educadores debatem suas idéias num novo filme, lançado em outubro de 2007, perante uma platéia que incluiu o ex Primeiro Ministro Kinto Musoke e outros dignitários. </p>
<p>“O desenvolvimento não tem realizado seu potencial”, afirma o empreendedor Gimoro Laker-Ojok no início do filme, intitulado “Opening a Space – The Discourse on Science, Religion and Development in Uganda” (Abrindo um Espaço – o Discurso sobre Ciência, Religião e Desenvolvimento em Uganda).</p>
<p>“Nos anos cinqüenta e sessenta, as disparidades entre ricos e pobres não eram tão grandes na Uganda”, continua Daisy Namono, da CELSOL Consulting Services. “Precisamos nos perguntar, o que deu errado?”</p>
<p>“Em alguns casos, precisamos voltar à estaca zero”, diz Elizabeth Kharono, coordenadora de programas da Living Earth Uganda (Terra Viva Uganda).</p>
<p>Produzido pelo Institute for Studies in Global Prosperity (Instituto de Estudos em Prosperidade Global), uma organização sem fins lucrativos associada com a Bahá’í International Community (Comunidade Internacional Bahá’í), o filme tem como ponto principal que a tendência dos programas de desenvolvimento tem sido de ver os pobres como “pacotes de necessidades”, em vez de fontes de soluções.</p>
<p>“Eles vêem os pobres como pessoas que não têm nada para oferecer”, afirma Basil Wanzira, da Poverty Alleviation Community Development Foundation (Fundação de Desenvolvimento Comunitário para a Redução da Pobreza).</p>
<p>“Opening a Space” promove a idéia de que as pessoas não devem ser consideradas recipientes passivos de assistência; em vez disso, elas mesmas devem ajudar a formular políticas e produzir mudança. E devem fazer isso usando o conhecimento que adquirem, tanto da ciência quanto da religião.</p>
<p>“Existe a necessidade de maior participação das próprias pessoas que serão afetadas pela política”, diz no filme o dr. J. J. Otim, assessor presidencial para a agricultura. “Em Uganda, acreditamos firmemente que qualquer que seja a política que o governo desejar implementar, terá que adotar uma abordagem participativa;&#8230; ela não deve ser formulada nos gabinetes”.</p>
<p>Diversos outros temas surgem no filme:</p>
<ul>
<li>Os seres humanos são seres espirituais; portanto, para que ocorram mudanças efetivas, as realidades espirituais devem ser consideradas, juntas com o bem estar material.</li>
<li>Ciência e religião oferecem sistemas complementares de conhecimento, ambos os quais devem ser aplicados à questão do desenvolvimento.</li>
<li>Para lidar com os muitos desafios que enfrentam, não basta que os pobres tenham acesso ao conhecimento; eles mesmos devem ajudar a gerar o conhecimento que orienta a formulação de políticas.</li>
</ul>
<p>“As pessoas ficaram muito animadas com as possibilidades que esse diálogo poderá oferecer”, disse George Olinga, do Escritório Bahá’í Ugandense para Assuntos Externos. “O DVD está estimulando muitas novas idéias sobre maneiras novas e diferentes de pensar o desenvolvimento”.</p>
<p>A dra. Haleh Arbab, diretora do Institute for Studies in Global Prosperity, diz que agora Uganda tem quatro grupos de trabalho trocando idéias sobre como seria o desenvolvimento caso ele se fundamentasse nos conceitos esboçados no filme.</p>
<p>“Queremos que as pessoas se tornem não consumidores de pacotes oferecidos pelas diferentes organizações de desenvolvimento, e sim criadores, tomadores de decisões”, ela disse.</p>
<p>O Instituto encabeçado por ela tem promovido o discurso sobre ciência, religião e desenvolvimento em vários países, incluindo a Índia e o Brasil, além da própria Uganda, como parte de sua missão de explorar novos conceitos e modelos de transformação social.</p>
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		<title>Vídeo do Seminário em Campinas</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Apr 2008 13:33:07 +0000</pubDate>
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		<title>Ciência, Religião e Desenvolvimento - Perspectivas para o Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2007 15:53:30 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Após a realização de 5 seminários, em Campinas, Salvador, Brasília, São Paulo e Curitiba, onde o conteúdo do livro foi discutido com os autores residentes nestas cidades, foi feita uma sistematização de todos os comentários apresentados que gerou um novo documento síntese que agora apresenta uma visão mais próxima dos desafios brasileiros para com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após a realização de 5 seminários, em Campinas, Salvador, Brasília, São Paulo e Curitiba, onde o conteúdo do livro foi discutido com os autores residentes nestas cidades, foi feita uma sistematização de todos os comentários apresentados que gerou um novo documento síntese que agora apresenta uma visão mais próxima dos desafios brasileiros para com a interação entre ciência, religião e desenvolvimento. Leia e <a href="http://www.cienciaereligiao.org.br/23/ciencia-religiao-e-desenvolvimento-perspectivas-para-o-brasil/#respond" >compartilhe aqui</a> as suas percepções sobre esta temática.</p>
<p><span id="more-26"></span></p>
<ul>
<li><strong><a href="#ciencia1">CIÊNCIA, RELIGIÃO E DESENVOLVIMENTO –PERSPECTIVAS PARA O BRASIL</a></strong></li>
<li><strong><a href="#desenvolvimento">DESENVOLVIMENTO</a></strong></li>
<li><strong><a href="#diferencas">DIFERENÇAS</a></strong></li>
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<li><strong><a href="#passos">OS PASSOS PRÁTICOS</a></strong></li>
<li><strong><a href="#justica">JUSTIÇA E GOVERNANÇA</a></strong></li>
<li><strong><a href="#educacao">EDUCAÇÃO</a></strong></li>
<li><strong><a href="#integrando">INTEGRANDO O SABER POPULAR AO CONHECIMENTO CIENTÍFICO</a></strong></li>
<li><strong><a href="#consideracoes">CONSIDERAÇÕES FINAIS</a></strong></li>
</ul>
<p><a name="ciencia1"></a><br />
<strong id="ciencia1">CIÊNCIA, RELIGIÃO E DESENVOLVIMENTO –PERSPECTIVAS PARA O BRASIL</strong></p>
<p>Encontramo-nos além do auge da modernidade e de seu projeto iluminista. Vivemos hoje o declínio de um sonho de prosperidade. De um lado, pessoas com abundância de conhecimento, tecnologias e bens de consumo. Do outro lado, miséria, fome, condições desumanas de existência. Por todos os lados, pessoas com a alma fraquejada, exaustas de violência, solidão e medo. Um Brasil repleto de agressão – dos assaltos, seqüestros, empregos, capitalismos, competições predatórias. Temos um humano isolado do mundo, dos espaços e das outras pessoas – que não se olham nas ruas, não conversam nos elevadores e não existem uma para a outra. A humanidade está doente, repleta de incertezas e cobranças provenientes de um dever-ser impossível. Vivemos em uma sociedade que anseia por um humano-máquina, o super-humano. Será isso desenvolvimento?</p>
<p>Tanta racionalidade não foi capaz de enxergar que a espiritualidade acaricia a alma, dá sentido à vida e às relações. Tanta racionalidade não soube cuidar da humanidade, da nobreza de cada pulso de vida no universo. Surgem então as perguntas: o que é a verdadeira prosperidade? O que é o desenvolvimento? Como traçar um plano de desenvolvimento no século da globalização e pós-modernidade; século também do aumento da pobreza mundial, da África dizimada, do sectarismo e da contenda religiosa?</p>
<p><a name="desenvolvimento"></a><br />
<strong>DESENVOLVIMENTO</strong></p>
<p><em>“O ser humano já não agüenta mais tanto desenvolvimento.”1</em></p>
<p>O projeto desenvolvimentista construído após a Segunda Guerra Mundial e aplicado em diversos países por todo o mundo mostra suas falhas e pede uma reestruturação. O progresso científico e tecnológico tal qual estão colocados hoje no mundo não correspondem aos anseios de uma vida digna e ética para todos os seres humanos. É necessário perceber que o desenvolvimento individual e da humanidade andam juntos e complementam-se. O atual conceito de desenvolvimento, aplicado em diversos projetos ao longo da segunda metade do século XX, pressupõe que o valor das pessoas está relacionado à quantidade de bens que ela consegue acumular. Ao colocar o desenvolvimento sob o foco da apropriação de bens, além de trazer a idéia de inclusão e exclusão, construiu-se a idéia de que apenas se atinge a felicidade com a conquista de muitos bens materiais.</p>
<p>Mas ao seguir por esse caminho, a humanidade fragmentou-se, supervalorizou a razão e deixou de lado o sagrado, empobrecendo-se em sua realização no mundo. Desde o advento do paradigma Iluminista de racionalidade e materialismo, as sociedades esqueceram-se da complexa rede de relações do ser humano com o universo; esqueceram-se também de prover as pessoas de alguns de seus direitos essenciais. Isso porque o Iluminismo possui uma lógica excludente, que rejeita visões de mundo que apontem caminhos diferentes dos seus, construindo, como conseqüência, um mundo repleto de contradições profundas.</p>
<p>Essa forma de estar no mundo implica descaso preocupante com os outros humanos e com todos os outros seres – a lógica do “eu por mim mesmo”. E solidão. Desrespeito. Desigualdades. Sofrimentos dos mais variados tipos. Onde está a nobreza inerente a cada ser humano? Ofuscada pelo materialismo. Onde se encontra a humildade de sentir-se parte de um todo tão complexo quanto inexplicável? Esquecida por uma razão arrogante.<br />
Acontece que a própria ciência tem percebido que não dá conta de tudo e começa a abrir espaço para outras vozes explicarem fenômenos que vão além dos cinco sentidos. E assim deveria caminhar o desenvolvimento: percebendo que não basta apropriação material para o bem-estar. É preciso expandir a consciência para a complexidade da vida, respeitando a sacralidade de cada ser e agindo como uma parte de um todo, ou seja, respeitando os espaços, vozes e vidas. É nesse sentido que é mister o exercício da espiritualidade para uma noção de desenvolvimento mais ampla.</p>
<p>Para isso, precisamos ir além da perspectiva histórica do desenvolvimento e da relação entre ciência e religião propostas pela hegemonia ocidental, etnocentrismo e positivismo. Não se trata de negar esses pontos de vista, mas os compor com outros, formando uma teia complexa, em que cada fio, representado por uma etnia, modo de vida ou filosofia, afete positivamente o bem-estar de toda a humanidade. Transformar o relacionar-se com as pessoas, espaços e seres uma arte: a do tear.</p>
<p>Tecer saberes como fios: transdisciplinaridade. No paradigma moderno, impera a visão mecanicista, que valoriza a especialidade e a divisão do conhecimento em disciplinas e relega ao ostracismo a experiência sublime, a interioridade, a subjetividade e a consciência. A modernidade esqueceu-se de que ciência e religião são dois caminhos clássicos de apreensão da realidade, cuja diferença é marcada pelo diferente funcionamento dos dois hemisférios do cérebro. O esquerdo é responsável pelo funcionamento da sensação e razão. O direito, da subjetividade e arte. Ao valorizar muito mais um hemisfério, nos fragmentamos, em um processo esquizofrênico, perdendo a noção de o que é inteireza. Um desenvolvimento preocupado com o todo do ser humano leva em conta a questão material, por meio da economia, a questão psíquica, através da política, e a questão noética(2) , a partir do exercício da espiritualidade.</p>
<p>Falar em desenvolvimento fugindo da lógica tradicional implica defender o envolvimento. O humano envolvendo-se mais entre si e com o mundo. Desenvolver a alma: atentar-se para a qualidade do sentimento, do pensamento, do relacionamento, do coração.  Que tal ter como indicador de desenvolvimento a qualidade das relações humanas, como a verdade dos sentimentos, a força dos valores humanos, o grau de unidade dos membros de uma sociedade, a igualdade entre as etnias, a promoção da condição das mulheres? Um desenvolvimento que valorize a Sabedoria.</p>
<p><a name="diferencas"></a><br />
<strong>Diferenças</strong></p>
<p><em>“(&#8230;) temos que considerar a história de toda a civilização independentemente de terem a sua história e suas culturas legitimadas socialmente por civilizações dominantes.”3</em></p>
<p>Quando falamos sobre desenvolvimento, pensamos no paradigma da sociedade européia ocidental e branca, marcado pela história e cultura desses povos. Entendemos como desenvolvido o que é branco, o que não é “subdesenvolvido” ou “em desenvolvimento”, o que consome toneladas de tudo que vê pela frente e que tem condições de desfrutar de valores da ciência. Desenvolvimento com o eterno estímulo: “vamos lá! Avancem!”.</p>
<p>Se por um lado analisar a questão do desenvolvimento passa por várias linhas dessas culturas, pois sua hegemonia política e econômica marca a vida de grande parte da humanidade, não podemos nos esquecer dos outros povos e suas dinâmicas, histórias e valores para melhor ampliar esse conceito.</p>
<p>Não nos esqueçamos das populações africanas, asiáticas, ameríndias e tantas outras. Como elas pensam o desenvolvimento? Como elas articulam saberes religiosos, técnicos e científicos? Como são suas relações sociais? A idéia de que o cientificismo rompeu com o dogmatismo religioso ocorreu apenas no âmbito europeu e branco. Nas comunidades negras, africanas, asiáticas, etc, isso não ocorreu. Nem todas as sociedades percebem religião e ciência com pólos opostos; pelo contrário, é possível entender a religião como prática estimulante da ciência. Essa contraposição dos dois fragmentos é muito mais nítida no Ocidente europeu medieval e moderno.</p>
<p>Ao colocar o ponto de vista europeu no centro da discussão reforçamos o risco de perder a dimensão sagrada de outras religiões. Devemos aprender com outros povos os valores que eles trazem como contribuição ao processo de desenvolvimento. No Brasil, a colonização, que perdurou por séculos, trouxe tanto a religião quanto a ciência como saberes impostos, inferiorizando e discriminando o conhecimento e cultura indígena e africana.</p>
<p>Por isso, para se pensar desenvolvimento, é fundamental considerar a população de origem africana, assim como outras igualmente não hegemônicas, pois elas possuem um legado civilizatório original, que se reflete em sua espiritualidade, visão de mundo e forma de expressão. Esse segmento da população tem grandes contribuições para a construção de um conhecimento que vise solucionar os problemas sociais brasileiros.</p>
<p>Devemos aprender com outras culturas suas idéias sobre desenvolvimento tanto para aprimorarmos esse conceito em nossas realidades, quanto para conseguirmos pensar em projetos de políticas públicas que realmente respeitem a comunidade beneficiada. Os atuais programas não levam em conta a definição de desenvolvimento da população atingida, reforçando os modelos eurocêntricos e dificultando a reafirmação de outros modos de vida. É preciso parar e olhar o outro, criando uma cultura política de solidariedade e de valorização de todos os seres humanos. No Brasil, onde a cor da pobreza é negra, é fundamental pensar em novos eixos de percepção que saiam da atual visão de desenvolvimento.</p>
<p>Temos muito – e sempre – o que aprender. Escutemos outras vozes e as reconheçamos como legítimas. Entender os próprios valores como os melhores e inquestionáveis é um exercício de fechamento para o mundo. Infelizmente, foi isso que boa parte dos programas desenvolvimentistas fizeram. Ao colocar valores de racionalidade e materialismo como superiores, eles ignoraram o anseio humano pela transcendência e pelo aprimoramento da qualidade de relação entre as pessoas, esquecendo-se de que para a maior parte da humanidade, a natureza tem uma dimensão espiritual. Por isso, é importante ampliarmos o conceito de desenvolvimento e lembrarmo-nos de que a atual significação tem negligenciado os principais interessados: as pessoas no processo de desenvolvimento.</p>
<p><a name="ciencia"></a><br />
<strong> CIÊNCIA</strong></p>
<p><em>“O compromisso com o conhecimento precisa ser uma aventura radical, pois ele é um convite a uma contínua abertura e investigação, e ao desfrute saboroso das descobertas.”4</em></p>
<p>Apesar de não conseguirmos apreender a realidade de forma completa apenas com o uso da razão, ela é muito importante para o desenvolvimento. É com o uso da razão que o radicalismo religioso é questionado e outras vozes podem então se manifestar. Foi o racionalismo iluminista, por exemplo,  que questionou o dogmatismo religioso medieval e possibilitou a emergência de outras relações sociais, econômicas e morais na modernidade.<br />
Mas devemos separar as coisas: não se pode confundir ciência ou religião em seu estado conceitual com os usos ideológicos que se fazem delas. Tanto o amordaçamento da ciência pelas religiões como a negação das religiões pelas ciências refletem a luta pelo controle das idéias e comportamentos. O paradigma moderno reprimiu a experiência do sublime em nome de algo confusamente chamado de ciência. Vivemos hoje a ditadura da ciência: o que tem valor, o que não é subdesenvolvido, o que faz sentido é a verdade da ciência. A base da ciência moderna é o desejo pelo controle. Coordenar ações é uma qualidade inerente ao racionalismo. Controlar cegamente é sua doença.</p>
<p>O mau uso da ciência e da racionalidade pode ser tão perigoso quanto o extremismo religioso. Portanto, a ciência deve servir como uma ferramenta para maior conhecimento do mundo e não como arma para manter certo discurso no poder. Devemos usar a racionalidade para ressignificar o papel da religiosidade e conferir um sentido mais profundo aos ritos, e não usá-la como tem sido feito: para execrar as outras potencialidades humanas, como a espiritualidade e a sensibilidade.</p>
<p>O conhecimento é uma experiência instigante, que organiza de forma efetiva nossas experiências cotidianas. Todo conhecimento é autoconhecimento, pois, ao conhecer, estamos mergulhando no entendimento de nossas relações constituintes. Por isso, não basta ter ciência, mas viver com ciência, incorporando-a às nossas vidas, aprendendo a cada dia nossas relações com o mundo. O papel do conhecimento é, portanto,  proporcionar o reconhecimento da nobreza de todos os seres humanos e não humanos. E essa nobreza deve ser reconhecida no cotidiano. O conhecimento não é algo que se possui como um bem material; ele é algo transformador. A pessoa deve ser conhecimento, tomá-lo como repertório da vida. Por isso é importante pensarmos sempre a serviço de que e de quem o conhecimento foi construído. A ciência institucionalizada não tem capacidade de transformação, pois ela está a serviço de poucas pessoas. Pensemos, pois, uma ciência com compromisso social. Hoje, a ciência nos parece estéril de humanidade. Falta espiritualidade para orientá-la&#8230;</p>
<p>Devemos estar sempre atentos para a institucionalização do conhecimento, pois ela enrijece a leveza do pensamento. Uma vez que o conhecimento se transforma em instituição, ele por vezes perde seu sentido original, pois busca então a reprodução infinita  de seu discurso, cristalizando-se para manter-se no poder. Onde fica a curiosidade, o olhar sobre o mundo, o constante questionamento, a criatividade de produzir mais –e  sempre –novas narrativas? Poderá o conhecimento científico ser institucional e ainda sim manter sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento humano?</p>
<p>Um apontamento: diálogo de saberes, uma mutação consensual: abertura da ciência tradicional e da religião tradicional. Humildade das ciências em perceber as limitações de suas contribuições. Quanto mais simples e mais consciente da particularidade de seu papel, mais a ciência tem a contribuir, pois responderá ao que lhe cabe, respeitando os outros saberes. Colocar, portanto, a razão a serviço de um entendimento maior da realidade, incorporando-a como parte do universo que a gerou.</p>
<p><a name="religiao"></a><br />
<strong>RELIGIÃO</strong></p>
<p><em>“A religião e a religiosidade podem ajudar a concretizar a expressão da vontade de mudança na sociedade.”5</em></p>
<p>A espiritualidade dá respostas em um outro nível de explicação, para a junção dos saberes e compreensão do mundo. A expressão espiritual abre espaço para a realização do indivíduo como bem mais precioso da humanidade. Ela também induz no ser humano profundo respeito por tudo, pois, ao ligar seres e coisas através do sagrado, ele entende sua posição no mundo como alguém que compartilha a vida, exercitando, assim, a humildade. O respeito à transcendência não é só uma questão de fé, mas de acolhimento, reconhecimento e cultivo do melhor de nós mesmos.</p>
<p>A quebra de paradigmas, por meio da globalização, tende a cindir as pessoas, deixá-las perdidas, sem rumo. A espiritualidade tem o papel de construir valores comuns para a sociedade, reconhecendo a nobreza e sacralidade de cada ser humano, e dando um sentido mais profundo à vida. Por isso a prática espiritual implica a aplicação cotidiana de seus valores; não pode cair só na repetição dos ritos.</p>
<p>Nesse sentido, é importante diferenciar religião de espiritualidade. É a espiritualidade que une, liga e re-liga e integra Enquanto a religião é um grupo ou instituição em que as pessoas exercitam juntas a espiritualidade através de valores, crenças e normas comuns, a espiritualidade é a manifestação individual dessa característica humana.</p>
<p>Temos, por um lado, pessoas que optam pelo exercício individual da espiritualidade, mostrando aos outros diferentes formas de lidar com a realidade; e por, outro lado, pessoas que optam pela inserção em um grupo ou instituição, dentro do qual compartilham valores e normas comuns. De um lado, a maleabilidade da não institucionalização; do outro, a força da união de um grupo. Tanto uma forma quanto outra auxilia, com suas peculiaridades, na construção de um novo paradigma civilizatório.</p>
<p>Dois problemas que encontramos hoje são o fanatismo e o dogmatismo religiosos, que impedem que outras vozes se pronunciem. Esse extremismo, ao invés de trazer a função original da religião ( a de religar), torna-se um espaço massacrante e despotencializante. Todas as religiões são derivadas do amor em movimento, da força e da chama do sagrado, mas elas podem se transformar em uma espécie de “latifúndio do sagrado”, movimentando-se em um “materialismo religioso”, dominando e alienando rebanhos.</p>
<p>Nos últimos anos, grande parte das guerras que ocorreram no mundo foi por motivos religiosos. A religião pode revitalizar a dimensão humana da espiritualidade, mas não necessariamente gera um modo de ser mais solidário e compassivo. Por isso devemos usar o espírito crítico, a racionalidade, para que a religião não se desvirtue para jogos de poder. Assim como a ciência, a religião deve estar aberta para ser contestada por outros grupos. Isso cria o diálogo e a possibilidade de caminharem juntos. Proponhamos, portanto, às religiões e tradições espirituais fechadas em si mesmas o teste da ética universal: estarão elas infringindo os impulsos da espiritualidade humana, relativos à solidariedade, cuidado e compreensão?</p>
<p>Ao mesmo tempo, a institucionalização da espiritualidade através da religião cria um espaço de convivência, aprendizado e construção de valores comuns. A religião pode proporcionar a auto-estima necessária para o aprendizado e atuação e para a construção de uma identidade coletiva positiva. Ela também proporciona a criação de uma rede de solidariedade em uma comunidade, incentivando, assim, uma atuação cidadã. O universo religioso facilita, nesse sentido, a expressão de valores culturais mais autênticos de certos grupos sociais. É o caso das Casas de Santo. Há situações em que a economia da cidade gira em torno do turismo gerado pelo candomblé. E as Casas de Santo, além de gerarem e dividirem a renda, funcionam como creche, abrigo para mulheres violentadas pelos maridos e possuem considerável representatividade política.</p>
<p><a name="religioes"></a><br />
<strong>Religiões no plural</strong></p>
<p><em>“A experiência de viver a fé em uma “aldeia global” exige que os diferentes ensinamentos religiosos saibam responder às situações que ameaçam a paz e a justiça. (&#8230;) É preciso que todas as religiões façam um exame de autocrítica com respeito a certas práticas de educação religiosa que têm favorecido as divisões e inclusive a repressão.”6</em></p>
<p><em>“Para se construir uma sociedade harmônica e vitalizada, devemos valorizar e não massacrar as diferenças (&#8230;)Se a religião for oprimida, no mesmo sentido, perde-se a contribuição que ela pode dar ao somatório social.”7</em></p>
<p>Religar, enxergar a nobreza de todos os seres humanos é compreender as diferenças. Não basta a condescendência do “eu respeito, mas bem longe de mim”. É necessário diálogo entre as diferenças e a eterna abertura para o aprendizado. Não se trata de homogeneizar as culturas e valores, tampouco seguir a lógica do “cada um na sua”. Trata-se de alegrar-se com a alteridade, pois ela é uma rica fonte de aprendizado, aprimoramento de si e autoconhecimento. Mas é igualmente importante questioná-la para permitir que os outros também se aprimorem. É apenas com o diálogo sincero que é possível relacionar-se com respeito e amor.</p>
<p>Ao falar em religião, logo lembramos das grandes tradições monoteístas, e então reduzimos nossa capacidade de compreensão e de criação sobre a questão religiosa. É necessário considerar outras experiências religiosas que não as hegemônicas, como a vivência espiritual dos negros e indígenas. É também preciso respeitar as contribuições que as religiões podem dar ao somatório social.</p>
<p>No Brasil, a experiência religiosa dos povos da floresta, por exemplo, pode nos ensinar uma forma diferente de entender nossa forma de estar e se relacionar com o mundo. Esses grupos indígenas pensam a natureza de forma criativa (no sentido de estar continuamente criando), usando-a para simbolizar sua realidade social. Diferentemente ocorre na modernidade ocidental, em que a chave das relações está na lógica da produção. Nessa lógica, enxergamos apenas um pólo – o nosso – e entendemos o outro pólo como objeto passivo, passível de exploração. Esses grupos, pelo contrário, unem espírito e matéria. Para eles, tudo o que existe é vivo, ativo, capaz de partilha, recíproco e, portanto, relacional. Aprendamos com os povos da floresta para pensarmos em um eco-desenvolvimento, abandonando o ponto de vista antropocêntrico e enxergando-nos como parte que interage e troca com o mundo.</p>
<p><a name="valores"></a><br />
<strong>VALORES UNIVERSAIS</strong></p>
<p><em>“(&#8230;) somente mata o outro, somente viola, exclui o outro, aquele que não se conhece, porque se conhecer é se conhecer na relação, na vinculação com o outro.”8</em></p>
<p><em>“Ousaria afirmar que a sociedade padece de credibilidade em si mesma porque os seres humanos ficaram impróprios.” 9<br />
</em></p>
<p>Falamos em articular ciência e religião para uma nova concepção de desenvolvimento. Mas de que religiões e de que ciências falamos? Como não calar vozes minoritárias ou enfraquecidas, impondo a toda a humanidade os discursos das instituições mais fortes? É necessário, pois, estabelecer valores universais para que, apesar das diferenças, todos os humanos possam caminhar juntos em prol de um projeto maior: o desenvolvimento global. Nesse sentido, por exemplo, tanto os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ainda que sofram a crítica de terem marcante viés ocidental e liberal, quanto os valores contidos em diversas escrituras sagradas de todo o mundo defendem posturas semelhantes em relação à humanidade.</p>
<p>É preciso resgatar e exercitar uma potencialidade humana latente: o respeito às pessoas. É necessário desenvolver uma cultura solidária, que observe e cuide tanto de seus direitos como dos direitos dos outros. Para isso, devemos sempre estar atentos para a nobreza de cada ser humano e respeitosos com suas limitações. O desafio é o encontro com o âmago da verdade dos outros. Ciência e razão para conhecer e questionar. Religião e espiritualidade para sensibilizar-se além dos cinco sentidos, para desenvolver a humildade de reconhecer-se como parte de um todo incomensurável e assim perceber o propósito de nossa caminhada humana.</p>
<p>Criar uma nova ética, baseada no autoconhecimento e na consciência de si e dos outros. Criar uma nova lógica e não buscar um resgate romântico do passado. Não é o caso de reforçar a moral, pois uma nova ética exige uma nova ótica. Uma ética do pertencimento, em que as diferenças possam existir e interagir com respeito. É preciso investir em uma ótica de união, ligação e sinergia com a Terra e com os que nela habitam. Precisamos ver o homo ludens, homo demens não como um descanso nos intervalos do período de trabalho. A esfera do lúdico, mítico, mágico e poético é tão importante para o desenvolvimento humano quanto a técnica, o trabalho e a racionalidade.  Lembrar-se do ser humano não só pela sua capacidade de produção, como ele tem sido visto hoje, mas também como ser de relações ilimitadas, criativo, terno, sensível e com espiritualidade.<br />
Nesse sentido, a ética do futuro deve trabalhar a humanização da humanidade; a valorização das qualidades associadas ao feminino; a capacidade de obedecer e guiar a vida; a unidade através da diversidade; a solidariedade; e o exercício de reconhecer ao outro o direito de não ser. Aprender com a sustentabilidade da natureza, que nos ensina que para manter-se vivo é preciso do apoio de toda uma comunidade de seres diversos. Compreender o princípio da ecologia, que mostra que a vida não surgiu através da competição, mas sim da cooperação.</p>
<p><a name="passos"></a><br />
<strong>OS PASSOS PRÁTICOS</strong></p>
<p><em>“A felicidade, então, é uma das maneiras como poderemos chamar aquele estágio em que uma pessoa realiza, de forma plena, seu potencial.” 10<br />
</em></p>
<p><em>“O grito dos excluídos, além do medo, angustia a todos.” 11</em></p>
<p>É necessário um novo paradigma de humanidade, em que se estabeleça o mínimo e também o máximo de bens que uma pessoa deve possuir, pensando, assim, na condição coletiva. Essa mudança pode ocorrer por medo de se perder o que tem ou por solidariedade, ao indignar-se com a injustiça social. Ou a sociedade assume a solidariedade, impulsionada pelo binômio espiritualidade/ religiosidade, ou será dominada pelo medo. No caso do Brasil, é preciso uma mudança do rumo do investimento social. Atualmente, o investimento público brasileiro está voltado para a classe média, com a criação de empregos e redução de custos de produção de capital, ao invés de investir na melhoria das condições dos mais pobres. Todo o investimento para a redução da pobreza está relacionado à minimização das mazelas, em uma lógica assistencialista,  sem que de fato se empodere o pobre a promover a sua mobilidade social.</p>
<p>Uma nova noção de desenvolvimento implica um novo sentido ao trabalho. Fazer do serviço o viço do ser. Trabalho para dar aos outros o que se tem de melhor. Por isso, as pessoas têm de respeitar sua vocação, para que possam executar suas atividades com amor e felicidade. É preciso também mudar a valoração do trabalho: hoje, por exemplo, os serviços domésticos são inferiorizados; já os voltados para a guerra, são valorizados.</p>
<p><a name="justica"></a><br />
<strong>Justiça e Governança</strong></p>
<p><em>“Ser solidário é lutar por um direito que não é seu.”12</em></p>
<p>Outro pilar a ser ressignificado é a justiça e a governança. Dar à justiça uma lógica coletiva, ao invés da lógica individualista que temos hoje, permitindo a todas as pessoas dignidade e liberdade para agir. Incorporar uma perspectiva espiritual à prática da cidadania e ampliar, então, o sentido de justiça.</p>
<p>Mudar a noção atual de governo: menos centralizado, que disponibilize recursos às comunidades locais e deixe-as agir com independência. Menos estados centralizados e mais unidades básicas de gestão pública. Ampliar os espaços comunitários e dar-lhes voz para as tomadas de decisão, formando conselhos e parlamentos mais orgânicos. As questões básicas de vida deveriam ser discutidas em todos os níveis de decisão e gestão. Devemos participar mais e deixarmos de ser tão representados. Para isso, é preciso a busca do empoderamento, e não a espera para que nos seja  concedido o poder. Empoderamento não pelo confronto, mas pela conspiração: aceitar a realidade para, ao se alinhar a ela, ter plena energia e entendimento para transformá-la.  As mulheres, por exemplo, ao lutarem para ter mais voz e poder e ao conquistarem esse direito modificaram toda a sociedade.</p>
<p>As religiões podem ter um papel importante nesse sentido, uma vez que proporcionam a seus participantes sentimento gregário e elevada auto-estima. Por outro lado, as religiões podem dificultar esse processo, se sinalizarem uma opção por uma cultura paternalista, em que os cidadãos buscam um salvador da pátria, um protetor a quem devem obediência. É importante que a população brasileira aprenda a cobrar dos governantes, pois não existe um líder perfeito. . Enquanto cidadãos, temos de ter consciência de que o desenvolvimento também depende de nós e não só dos nossos governos.  Para toda essa mobilização, a população tem de ser bem informada e bem formada. Uma nova educação torna-se necessária para uma nova humanidade.</p>
<p><a name="educacao"></a><br />
<strong>Educação</strong></p>
<p><em>“As pessoas estão querendo novamente que lhes ensinemos valores mais simples (&#8230;) porque elas estão em um processo tão alucinante que não sabem mais como abordar e vivenciar o dia e dormir.”13</em></p>
<p>É necessária uma revolução cultural e não só educacional. Como romper uma cultura paternalista como a do Brasil, por exemplo, sem rechaçá-la? Precisamos compreender que todos os seres humanos têm um projeto de felicidade a realizar, para, então, compreendermos que devemos valorizar uns aos outros, compartilhando um destino comum e valores como solidariedade e compaixão.</p>
<p>Como utilizar a educação para essa revolução cultural? Uma possibilidade é incluir o ensino da espiritualidade nas escolas. Lembrando-se de que religião é diferente de espiritualidade: ensinar não os dogmas e especificidades de uma religião, mas sim desenvolver nos alunos a inteligência emocional e espiritual, colocando alma nas escolas. O racionalismo científico foi muito ingênuo achando que conseguiria entender o cérebro sendo uma parte dele – são necessárias outras inteligências para entendermos a psique. Incluir o desenvolvimento da inteligência onírica, emocional e espiritual no cotidiano escolar. Educar para conhecer, fazer, conviver e ser. Colocar em todas as nossas ações e pensamentos a transdisciplinaridade, unido o efetivo ao afetivo, a razão ao coração, a análise à síntese, o intelecto ao espírito, o masculino ao feminino.</p>
<p>Mas devemos ter cuidado ao usar a palavra “transdisciplinaridade”. Não se trata de misturar tudo, mas sim utilizar cada ferramenta que temos em mãos. A ciência tem seu caminho: o analítico; bem como a religião possui o seu: o sintético. Um complementa o outro, mas não precisam ser misturados; o ser humano precisa de ambos, como duas pernas necessárias para a locomoção.</p>
<p>Mesmo sem modificar tanto a estrutura das escolas, uma pequena transformação já surte efeitos: permitir que as diferenças sejam ouvidas  e respeitadas no colégio, que colegas de turma possam ser diferentes sem serem excluídos ou ridicularizados, que as diferenças aprendam entre si com a convivência diária.</p>
<p><a name="integrando"></a><br />
<strong>Integrando o saber popular ao conhecimento científico</strong></p>
<p>Uma outra proposta, voltada para a relação entre governo, comunidade e universidade, é a criação de um Centro de Excelência, em que os programas sociais fossem integrados à realidade da comunidade, possibilitando o empoderamento da população daquele local e a construção de um conhecimento que reconheça a inter-relação entre as aspirações materiais e espirituais das pessoas envolvidas, valorizando o saber popular e integrando-o ao conhecimento científico. Esse centro teria uma estreita relação com as universidades da região, demandando do saber acadêmico a atenção às realidades locais e à prática cotidiana das comunidades.</p>
<p>As mudanças de paradigmas educacionais, independente de como foram definidas, devem transformar os alunos em exemplos vivos de modos de vida possíveis e transformadores. Começar, mesmo que com poucos (pois há uma grande dificuldade em se mudar paradigmas) que sirvam de exemplo e multipliquem os novos valores no cotidiano. Realizar uma pedagogia do fazer, do ‘ensina-me a viver’.  Ao mesmo tempo, ter sempre consciência de que os novos valores também são passíveis de questionamento, aprimorando, assim, e sempre, o conhecimento, em um processo contínuo de ação e reflexão.</p>
<p><a name="consideracoes"></a><br />
<strong>CONSIDERAÇÕES FINAIS</strong></p>
<p><em>“O momento que vivemos pode ser  visto nesta metáfora que aprecio muito: ‘a lagarta já morreu e a borboleta ainda não nasceu’.” 14</em></p>
<p><em>“A sustentabilidade individual depende da sustentabilidade das comunidades da qual a pessoa participa.” 15</em></p>
<p>A relação ciência, religião e desenvolvimento passa por novas propostas de pensar a realidade, e as políticas para o desenvolvimento. Neste particular, a educação ganha nova dimensão enquanto um processo gerador de ciência, de desenvolvimento e de abertura para compreensão das dimensões religiosas existentes sob diferentes formas no ser humano. A relação entre ciência, religião e desenvolvimento tramita sempre entre o real e o ideal, o material e o imaterial; ela também toca na auto-estima, autoconfiança, valorização pessoal e social,  não discriminação, busca por igualdade e  exercício da cidadania para a melhoria social.</p>
<p>Ao aprender a conectar-se com o mundo, com seus seres e espaços, o ser humano sente-se parte de um todo e, portanto, responsável por suas ações. Os valores deixam de ser moral enrijecida para se tornarem ética construída no cotidiano, consciência. O fazer político muda, a partir de então. As pessoas tornam-se ativas, porque responsáveis e participantes. Para isso, devemos construir uma civilização de base materna, que abriga, acolhe, cuida, respeita, ama. Interação ao invés de integração. Sair do modo de vida excessivamente masculinizado que o cientificismo propôs. Mais carinho, intuição, estética.<br />
Mudar implica desapego de conceitos. Transformá-los ou criar outros. Assim como a si, pois o indivíduo é uma construção dinâmica, tanto de células e órgãos quanto de subjetividade.  Por isso é preciso aprender sempre. Conhecer os grandes mestres e líderes religiosos – exemplos da aplicação viva de valores no cotidiano. Questionar, observar, sentir, construir, reformar. Religião na vida. Existência com-ciência.   É preciso que a ciência desça do pedestal e que a religião promova a percepção da coletividade e a busca da humana-unidade.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>1 CORRÊA, Rosângela. In: EGHRARI, Iradj Roberto (org.). Ciência, Religião e Desenvolvimento –perspectivas para o Brasil. São Paulo, Ed. Planeta Paz, 2005, p. 322.</p>
<p>2 Termo ainda pouco conhecido, “noética” refere-se a uma forma de consciência intuitiva, capaz de acessar direta e imediatamente o conhecimento que vai além daquele acessível à nossa racionalidade.</p>
<p>3 SIQUEIRA, Maria de Lourdes. Ibid., p. 270.</p>
<p>4 EMEDIATO, Carlos. Ibid., p. 222.</p>
<p>5 NUNES, Mônica. Ibid., p.275.</p>
<p>6 CORRÊA, Rosângela. Ibid., p. 337.</p>
<p>7 COSTIN, Claudia. Ibid., p. 226.</p>
<p>8 CREMA, Roberto. Ibid., p. 308.</p>
<p>9 MENDES, Joaquim. Ibid., p. 259.</p>
<p>10 CAMARGO, Affonso. Ibid., p. 216.</p>
<p>11 MARCHI, Euclides. Ibid., p. 242.</p>
<p>12 OLIVEIRA, Guacira. Ibid., p. 249.</p>
<p>13 MENDES, Joaquim. Ibid., p. 261.</p>
<p>14 CREMA, Roberto. Ibid., p. 287.</p>
<p>15 EMEDIATO, Carlos. Ibid., p. 236/A.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Vídeo: I Seminário de debate do livro</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2007 14:41:56 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Resultados da Iniciativa]]></category>

		<category><![CDATA[Video]]></category>

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		<description><![CDATA[Assista ao vídeo ou escute o áudio do  seminário de debate do livro, Perspectivas para o Brasil: ciência, religião e  desenvolvimento, ocorrido em Campinas.

Vídeo (baixa &#124; alta resolução)
Áudio. [ou download do arquivo mp3 (11 MB)]

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin: 0 10px 0 0" src="video.jpg" alt="Video do Seminario" /><span style="color: #000000; font-family: Helvetica; font-size: 14px">Assista ao vídeo ou escute o áudio do  seminário de debate do livro, Perspectivas para o Brasil: ciência, religião e  desenvolvimento, ocorrido em Campinas</span>.</p>
<ul style="padding: 10px; margin-bottom: 50px; font-size: 14px; border: 1px dashed silver;">
<li><strong>Vídeo (<a href="http://www.cienciaereligiao.org.br/video_web.html"title="Video do Seminário - Baixa Resolução"  >baixa</a> | <a href="http://www.cienciaereligiao.org.br/video.html"title="Video do Seminário - Alta Resolução"  >alta resolução</a>)</strong></li>
<li><b><a href="http://www.cienciaereligiao.org.br/audio.html"title="Mp3 do Seminário em Campinas"  >Áudio</a></b>. [ou <a href="http://www.cienciaereligiao.org.br/videos/audio.mp3"title="Audio do I Seminário em Campinas"  >download do arquivo mp3</a> (11 MB)]</li>
</ul>
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