Documento Base
As profundas mudanças que estão agora redimensionando os assuntos humanos dão a entender que novos modelos de vida - de longo alcance em sua capacidade de despertar o potencial humano - estão ao alcance de uma comunidade global em rápida transformação. Os avanços no conhecimento numa gama cada vez mais ampla de disciplinas, o surgimento de mecanismos internacionais que promovem a tomada coletiva de decisões e ações, e a crescente capacidade das massas da humanidade de articular suas aspirações e necessidades, pressagiam um grande impulso na evolução social do planeta. Dar-se conta da promessa contida nessas transformações, porém, exigirá um re-exame analítico dos modelos atuais do desenvolvimento social e econômico.
As condições de justiça e eqüidade, que promovem tanto o bem-estar individual como o coletivo, no entanto, permanecem como uma meta ilusória. Em um extremo, vemos a privação e o desespero que afligem um vasto número de povos no mundo; de outro, um segmento limitado da raça humana usufrui uma afluência manifesta e desenfreado. Padrões enraizados de dependência e pobreza são testemunhados com grande desilusão no atual sistema social. A sociedade em geral, porém, está rejeitando como irrelevante para o despertar das esperanças e energias dos indivíduos, em todas as partes do planeta, a interminável busca da riqueza em um mercado impessoal e a frenética vivência das várias formas de auto-indulgência. Não mais é possível manter a crença de que o enfoque dado ao progresso social e econômico, nascido do conceito materialista de vida, seja capaz de levar a humanidade à tranqüilidade e à propriedade que tanto busca.
As dificuldades encontradas durante quase cinco décadas de trabalho de desenvolvimento, particularmente a incapacidade de conseguir o envolvimento das próprias pessoas ao qual tais esforços visam servir, demonstram claramente a necessidade de novos conceitos e modelos de desenvolvimento. Embora os que trabalham no campo de desenvolvimento tenham aos poucos se conscientizado de muitos fatores interativos subjacentes ao progresso social e econômico, o discurso contemporâneo de desenvolvimento continua a ser baseado em limitadas premissas e enfoques.
É evidente que um conjunto complexo, embora vital, de questões relacionadas à natureza e ao propósito da vida humana precisam ser incorporadas no pensamento do desenvolvimento. Atenção deve ser dada a uma área de assuntos que atinjam o âmago da identidade e da motivação humanas. Mais freqüentemente do que nunca, as iniciativas sociais e econômicas têm negligenciado os valores, tradições e percepções dos principais interessados no processo de desenvolvimento - as próprias pessoas. A agenda de desenvolvimento internacional tem em grande parte ignorado o fato de que a grande maioria dos povos do mundo não vêem a si mesmos simplesmente como seres materiais, que só dão atenção às exigências e circunstâncias materiais, mas, pelo contrário, como seres morais preocupados com a consciência e com os propósitos espirituais. E, desta forma, ficou evidente que, prioritariamente, o critério prioritário econômico e material que agora guia as atividades de desenvolvimento deve ser ampliado para incluir aquelas aspirações espirituais que dão vida à natureza humana.
As estratégias e os programas de desenvolvimento existentes estão longe de levar em consideração àquelas dimensões essenciais sociais e espirituais da vida, tão primordiais para o bem estar fundamental do ser humano. A própria civilização não surge meramente do progresso material, mas, sim, é definida por, e fundamentada em ideais e crenças compartilhadas que unem os fatores componentes da sociedade. O que singularmente define a experiência humana é o componente transcendente da vida. É esta a dimensão da existência que enriquece, enobrece e provê um direcionamento aos seres humanos. É esta dimensão de vida que libera as capacidades criativas na consciência e salvaguarda a dignidade do ser humano.
Embora os enfoques pragmáticos para a solução de problemas exerçam obviamente um papel central nas iniciativas de desenvolvimento, dar vazão às manifestações surgidas das raízes da motivação humana provê o impulso essencial que assegura um genuíno progresso social. Quando os princípios espirituais são completamente integrados nas atividades de desenvolvimento da comunidade, as idéias, as percepções e as medidas práticas que surgem serão certamente aquelas que promovem a autoconfiança e preservam a honra humana, desta forma evitando hábitos de dependência, e progressivamente eliminando as condições de flagrante disparidade econômica. Um enfoque de desenvolvimento que incorpore os imperativos morais e espirituais, levarão com maior possibilidade à mudanças duradouras, tanto na conduta individual como coletiva.
Em essência, o processo de desenvolvimento está em última instância relacionado tanto com a transformação das pessoas como das estruturas sociais que os membros da sociedade criam. O surgimento de formas de vida pacíficas e progressistas exigem tanto uma reordenação interna como externa, e tal reordenação somente ocorrerá quando o coração humano for transformado. Então, para ser efetivo, o desenvolvimento precisa voltar-se diretamente para a vida interna e para o caráter dos seres humanos, como também para a organização da sociedade. Seu propósito terá de ser a promoção de um processo de transformação social que engendre a cooperação, a compaixão, a retidão de conduta, e a justiça - transformações que permearão todos os aspectos do relacionamento que dirigem a atividade humana.
Deste ponto de vista, o progresso material é devidamente entendido não como um fim em si mesmo, mas, sim, como um veículo para o progresso social, intelectual e moral. De forma semelhante, qualquer avanço significativo do bem-estar material somente decorre quando há a aplicação concreta dos preceitos espirituais como eqüidade, fidelidade e altruísmo. O reconhecimento da conexão inseparável entre os aspectos materiais e espirituais da vida, portanto, dá nascimento a uma noção fundamentalmente diferente de desenvolvimento.
A experiência histórica
Muito do argumento desta seção e das seguintes, foram desenvolvidas em maior profundidade em “Promovendo um Discurso sobre Ciência, Religião e Desenvolvimento” por Farzam Arbab (em “The Lab, the Temple and the Market”).
As origens da atividade moderna de desenvolvimento remontam a uma série de circunstâncias associadas com o colapso dos sistemas coloniais e com o surgimento de novas nações após a Segunda Guerra Mundial. Os primeiros programas e estratégias de desenvolvimento foram diretamente influenciados pelo modelo bem sucedido da reconstrução européia realizado com o Plano Marshall. Esse modelo propunha um caminho de modernização voltado quase que exclusivamente para a industrialização. O impulso básico desse enfoque era alcançar um crescimento máximo na economia de países em desenvolvimento, o qual, acreditava-se, geraria riquezas e empregos suficientes para gradualmente envolver a maioria de suas populações em atividades produtivas. O acúmulo de capital, a transferência de tecnologia e know-how correspondente, a introdução de modernos métodos de administração, e a significativa injeção de ajuda externa foram os principais elementos de um enfoque que previa trazer os benefícios da modernidade para as massas do mundo.
Embora bem intencionado, este paradigma de modernização provou-se desastroso em muitos aspectos. Em sua tentativa de despertar o potencial dos povos dos países em desenvolvimento, o processo de industrialização resultou em grandes migrações das áreas rurais para as áreas urbanas e a concomitante ruptura da coesão social. Tal migração não ocorreu sem intenção, pois uma forma necessária e até desejável para acelerar o crescimento econômico. Implícito nesse enfoque de desenvolvimento estava a visão de que a maioria dos habitantes das regiões rurais tinha uma forma de vida improdutiva que precisava ser redirecionada. Sua concepção geral revelou as percepções errôneas e paternalistas dos planejadores do desenvolvimento naquela época.
À medida em que a ineficácia das estratégias empregadas para alcançar ambiciosos objetivos de crescimento tornava-se cada vez mais evidente, o foco das atenções voltou-se, durante a década dos anos sessenta, para as questões culturais, demográficas e tecnológicas. Tendo sido o crescimento econômico o objetivo máximo, recursos consideráveis foram alocados para a exploração de meios de superar os obstáculos em seu caminho. Programas voltados à saúde e educação, e esforços concentrados para modernizar a agricultura através da Revolução Verde, são freqüentemente citados como os sucessos mais notáveis daquele período. Uma concepção subjacente desses programas foi que as populações rurais eram na verdade muito capazes e que precisam apenas das ferramentas apropriadas. Em suma, se a base tecnológica dessas pessoas pudesse ser aperfeiçoada, a prosperidade econômica seria uma decorrência certa.
A Revolução Verde foi apenas parcialmente bem sucedida. A produção de alimentos cresceu de forma notável, e milhões foram praticamente salvos da fome, que era iminente. Mas a lacuna existente entre os ricos e os pobres crescia também, tanto nas vilas como nas cidades que recebiam um fluxo constante de migrantes em busca de uma vida melhor. Como resultado, o pensamento desenvolvimentista começou a enfatizar as necessidades dos pobres e sua parcela e participação no crescimento econômico. A compreensão de que mesmo depois de duas décadas de atividade desenvolvimentista o número daqueles que viviam em pobreza absoluta chegava perto de um bilhão, teve um efeito surpreendente nos que criavam as políticas de desenvolvimento como naqueles que nela trabalhavam. Deu nascimento a um novo exame da questão da eqüidade. Agências internacionais começaram a buscar novas iniciativas voltadas especificamente para cuidar dos “mais pobres dos pobres”.Crescimento com eqüidade, e atenção às necessidades humanas básicas, tornaram-se as preocupações centrais dos envolvidos em processos de desenvolvimento.
Ao final da terceira década de desenvolvimento, milhares de projetos realizados não somente pelos governos e agências internacionais, mas também por uma enorme quantidade de organizações não-governamentais, tornaram possível fazer-se uma análise bem mais sofisticada do progresso social e econômico. Intensos diálogos e estudos trouxeram luz às minúcias intrincadas de um grande número de temas, incluindo: tecnologia apropriada, o papel das mulheres no planejamento, planejamento e implementação de projetos como um meio de estimular o crescimento comunitário e a capacidade institucional, preservação ambiental, desenvolvimento centrado na pessoa humana, organização comunitária e avaliação projetos. Um processo de aprendizado que reconhecia a grande complexidade do desenvolvimento estava finalmente a caminho.
No entanto, não se percebia, de um modo geral, nenhuma mudança fundamental na forma como os pobres eram vistos. A imagem predominante, que persistia desde o início dos anos setenta, reduz essencialmente a realidade vigente na época a uma interminável soma de problemas e necessidades - pessoas sofriam, em razão das condições inadequadas de alimentação, moradia, saúde e infra-estrutura sanitária; o acesso à educação era limitado; faltava capital e os recursos da tecnologia moderna; eram incapazes de alcançar níveis razoáveis de consumo. Embora o reconhecimento das inúmeras causas subjacentes à condição de pobreza represente um passo a frente, não é de todo claro como poderá surgir um enfoque orgânico e integrado de desenvolvimento que envolva as pessoas mais afetadas. Medidas, fragmentadas ou parceladas, voltadas a problemas bem específicos mostraram-se falhas, e sem dúvida, continuarão a falhar, em melhorar a condição generalizada de miséria e desordem social que agora envolve significativas áreas do planeta.
Hoje, mesmo com uma ênfase crescente na participação e potencialização da comunidade local, os programas de desenvolvimento são quase sempre administrados ou iniciados de fora, em vez de nascer das raízes da sociedade. Os verdadeiros enfoques participativos ao progresso social e econômico que são de natureza holística ainda por ser implementados a um nível que seja significativo. Mas, mais importante, o desenvolvimento centrado na pessoa humana, por mais criativas que sejam suas atuais manifestações, é pouco provável que leve a uma melhoria sistemática da vida das pessoas se não houver uma visão unificada da vida e da sociedade. Tal visão precisa necessariamente basear-se em ampliar o profundo entendimento espiritual da condição humana, já aceita por uma parte preponderante da população do planeta. É, portanto, difícil ver como a teoria e a prática do desenvolvimento possam passar por uma mudança fundamental a não ser que o discurso correspondente admita o reexame da natureza do ser humano. Tal empreitada não pode ser feita simplesmente através de uma tentativa especulativa e expressões arbitrárias de opiniões desinformadas. Para uma consideração séria deste assunto vital, é imprescindível que haja um novo nível de diálogo entre a ciência e a religião.
Ciência e Religião
O reconhecimento do elo vital entre os aspectos práticos e espirituais da vida humana, leva inevitavelmente à reformulação do que constitui bem-estar e dos possíveis mecanismos para se atingir tal condição de vida. Esta compreensão revela a necessidade de uma exploração sistemática dos papéis que a ciência e a religião exercem no processo de desenvolvimento.
Um primeiro passo de uma pesquisa desta natureza é entender as funções essenciais da ciência e da religião na sociedade humana. Através da História, as civilizações dependeram da ciência e da religião como os dois sistemas principais do conhecimento que guiaram seu desenvolvimento e canalizaram seus poderes morais e intelectuais(2). Os métodos da ciência permitiram à humanidade chegar a um entendimento coerente das leis e dos processos que governam a realidade física, e, em um certo grau, a operação da própria sociedade. As percepções decorrentes da religião levaram a um entendimento relacionado às questões mais profundas dos propósitos e das iniciativas humanas. Durante os momentos da História quando esses dois aspectos do conhecimento humano atuaram em harmonia, os povos e as culturas se libertaram das práticas e dos hábitos destrutivos, e alcançaram novos níveis de realizações técnicas, artísticas e éticas. Na verdade, a ação é uma decorrência do conhecimento, e, nesse sentido, ciência e religião são instrumentos ou expressões da vontade humana.
A ciência e a religião, porém, têm sido normalmente consideradas como inerentemente conflitantes, mesmo como esferas mutuamente excludentes do esforço humano. Que o aspecto vitalizante da religião tem quase sempre sucumbido a diferentes formas de dogmatismo, superstição e facções teológicas, é um fato bem evidente na História. O Iluminismo, na verdade, marcou uma guinada crucial no despertar da consciência humana das garras da ortodoxia e do fanatismo religiosos. Mas, em sua rejeição da religião, o Iluminismo também rejeitou o centro moral que a religião provê, criando uma dicotomia ainda mais profunda e ainda existente entre o racional e o sagrado. Os resultados desta ruptura artificial entre a razão e a fé podem ser vistos no ceticismo, na alienação e no materialismo corrosivo que permeiam a vida contemporânea.
Para a vasta maioria da humanidade, a proposição de que a natureza humana tem uma dimensão espiritual é uma verdade evidente que encontra expressão em todas as esferas da vida. Dentro do ser humano existe um anseio fundamental que o leva a uma transcendência, para a contemplação das causas subjacentes à existência e aos mistérios da própria realidade humana. Esses anseios existenciais básicos foram atendidos através dos séculos pelas religiões do mundo. Os impulsos espirituais despertados por esses sistemas religiosos têm sido a principal influência no processo civilizatório do caráter humano. Através dos ensinamentos e das orientações morais da religião, grandes segmentos da humanidade aprenderam a disciplinar seus instintos e a desenvolver qualidades que conduzem à ordem social e ao progresso cultural. Tais qualidades, como - compaixão, tolerância, confiabilidade, generosidade, humildade, coragem e disposição de sacrificar-se pelo bem comum - formou as bases essenciais, embora ainda invisíveis, de uma vida comunitária em evolução. O reconhecimento e o aprimoramento da natureza espiritual da humanidade produziram a coesão e a unidade de propósito de uma sociedade e servem como fonte de energia para as expressões vitais do processo civilizatório.
Em sua forma mais autêntica, sem adições dogmáticas, a religião transmite verdades morais e espirituais que de forma alguma contradizem as verdades descobertas pela ciência. Não existe base substancial para afirmar que haja uma incompatibilidade intrínseca entre a ciência e a religião. O próprio processo da descoberta científica envolve faculdades humanas como a imaginação e a intuição, além da razão, e não pode ser considerada simplesmente como um conjunto de procedimentos bem definidos. A dicotomia histórica entre a razão e a fé é falsa. Trata-se de faculdades da natureza humana que se complementam no processo da descoberta e no entendimento da realidade; ambas são ferramentas que permitem à sociedade alcançar a compreensão da verdade.
Esta perspectiva é reforçada pelos recentes progressos no campo científico, que dão margem a uma forte convergência epistemológica de vários pontos de vista universais das religiões. A física e a psicologia modernas, por exemplo, colocam considerável dúvida sobre a noção de que a matéria é o elemento primário da realidade, ou que a consciência humana é um simples derivado de processos neuro-químicos. O reducionismo e o determinismo associados com a mecânica newtoniana estão agora dando lugar ao entendimento dos fenômenos físicos pelos quais o universo é considerado como um todo unificado, sempre em evolução e interconectado. O fato de que as leis físicas possibilitam o surgimento de configurações biológicas complexas que surgem e evoluem ao ponto da consciência, demonstra evidência de leis, e até mesma constituição, organizacionais de um nível mais elevado. Em suma, nada existe de anticientífico na concepção de que uma força Criativa ou Divina está em operação no mundo.
Esses pontos somente têm importância, até agora, por estimularem um intercâmbio mais rigoroso e unificado entre as correntes religiosas e científicas de pesquisa. Juntas, ciência e religião provêm os princípios organizacionais fundamentais pelos quais indivíduos, comunidades e instituições funcionam e evoluem. A utilização dos métodos da ciência permite às pessoas tornarem-se mais objetivas e sistemáticas em seus enfoques para a solução de problemas e em seu entendimento dos processos sociais, enquanto que a confiança nas inclinações espirituais dos indivíduos prove o ímpeto motivacional que alimenta e dá continuidade à ação positiva. Uma transformação significativa das condições da sociedade não envolve simplesmente a aquisição de habilidades técnicas, mas, mais importante ainda, o desenvolvimento das qualidades e atitudes que estimulam os padrões criativos e cooperativos de interação humana. A compreensão das forças que podem produzir transformações nas atitudes e na conduta é uma área de estudo que se encontra na interface entre ciência e religião.
Um discurso que considere o domínio material e o espiritual da existência como interligados em um processo de desenvolvimento, implica uma ruptura com a atual metodologia de desenvolvimento. Que a ciência e a religião têm papeis a exercer no campo do desenvolvimento, papéis que se reforçam mutuamente, não é mais um assunto de debate.3 As questões sociológicas e organizacionais relacionadas ao progresso social e econômico devem, necessariamente, referir-se às perspectivas e aos valores espirituais. Porém, a maneira pela qual as perspectivas espirituais são integradas nas atividades de desenvolvimento precisam envolver os mesmos métodos lógicos e rigorosos empregados pela ciência. Isso irá assegurar que os esforços desenvolvimentistas estejam ancorados a resultados tangíveis e objetivos. Na verdade, se a religião deve ser parceira da ciência na arena do desenvolvimento, suas contribuições específicas precisam ser cuidadosa e minuciosamente analisadas. É infelizmente o caso da religião institucional, que se vê freqüentemente sobrecarregada com doutrinas e práticas que militam contra seus esforços na busca da melhoria das condições materiais da vida humana. As distorções sectárias que estimulam a passividade, a aceitação da pobreza, a exclusão social ou a desigualdade entre os sexos, precisam ser avaliadas por conceitos espirituais universais que enfatizam a centralidade da justiça e do serviço ao bem estar comum. Assim, um novo enfoque de desenvolvimento deve também buscar identificar as tradições de paternalismo e outros modelos de conduta que estejam impedindo as iniciativas de desenvolvimento.
Ciência, Religião e Capacitação.
Como, então, infundir em nosso entendimento, consideração e prática do desenvolvimento? O desafio não é novo. Através de décadas, os pensadores da área de desenvolvimento repetidamente se viram diante de assuntos relacionados com valores e crenças. Muito freqüentemente, porém, eles recuaram, não se dedicando a um exame profundo do assunto. Se os indivíduos e as comunidades desejam tornar-se os promotores principais de seu bem estar físico e social, eles precisam recorrer aos postulados espirituais e aos sistemas de crença que dêem visão e enfoque aos seus esforços. Mas isso deve ser feito de maneira a desenvolver uma forma visível de suas capacidades para definir, analisar e satisfazer suas próprias necessidades.
O esforço para aprimorar a capacidade humana, capacitar mão de obra construtiva, criar mudanças comunitárias e institucionais, é algo cada vez mais reconhecido como o propósito fundamental do desenvolvimento. Visto como agente de capacitação, o desenvolvimento se volta principalmente para a geração, aplicação e difusão do conhecimento. Se for reconhecido o fato de que o conhecimento é em natureza tanto espiritual como material, as metodologias da ciência e as percepções da religião podem, trabalhando juntas de uma forma sinergética, prover as ferramentas essenciais para a criação de sistemas sociais harmoniosos e justos.4 Colocando-se a geração e a aplicação do conhecimento no centro do planejamento e da atividade desenvolvimentista, tornamos possível estudar as implicações práticas dos valores religiosos, particularmente o papel que tais valores exercem na geração de um enfoque unificado voltado à transformação social nas raízes da sociedade.
É fato geralmente aceito que os materialmente pobres precisam participar diretamente nos esforços para a melhoria de seu próprio bem-estar. Mas a natureza dessa participação não foi ainda devidamente explorada. Fica mais fácil entender essa afirmativa se a examinarmos no contexto do papel do conhecimento conforme apresentado aqui. A participação deve ser substancial e criativa; deve permitir que as próprias pessoas tenham acesso ao conhecimento e que sejam estimuladas a aplicá-lo. Especificamente, não é suficiente aos habitantes do globo engajar-se em projetos como meros beneficiários dos frutos do conhecimento, mesmo que eles tenham tido alguma ingerência em determinadas decisões. Eles precisam participar na aplicação do conhecimento para criar o bem-estar, desta forma gerando novos conhecimentos e contribuindo de uma forma substancial e significativa para o progresso humano. Se, na verdade, uma comunidade controla os meios de utilização do conhecimento, e for guiada por princípios espirituais, será então capaz de desenvolver os recursos materiais e as tecnologias que servirão de forma adequada às suas reais necessidades.
A capacidade de qualquer grupo de participar de forma completa em seu próprio processo de desenvolvimento depende de uma vasta gama de capacidades inter-relacionadas, aos níveis do indivíduo e do grupo. Dentre as mais importantes estão as capacidades de tomar iniciativas de uma forma criativa e disciplinada; pensar sistematicamente para a compreensão dos problemas e para encontrar soluções para os mesmos; usar métodos de tomada de decisão que gerem antagonismo e que sejam inclusivos; tratar de forma eficaz e acurada com as informações, mais do que responder inconscientemente à propaganda comercial ou política; fazer escolhas de tecnologias de maneira bem informada e apropriada, e desenvolver as habilidades e os comprometimentos necessários para gerar e aplicar o conhecimento técnico; organizar e engajar-se em processos de produção ecologicamente consistentes; contribuir à criação e administração eficazes de projetos comunitários; colocar em ação e participar de processos educativos que levem ao crescimento pessoal e a um aprendizado de longo prazo; promover solidariedade e unidade de propósito, pensamento e ação entre os membros de uma comunidade; substituir os relacionamentos baseados na dominação e na competição por relacionamentos baseados na reciprocidade, colaboração e serviço ao próximo; interagir com outras culturas de uma forma que leve ao progresso de sua própria cultura e não à sua degradação; estimular o reconhecimento da nobreza essencial dos seres humanos; manter altos padrões de saúde física, emocional e mental; imbuir na interação social um elevado senso de justiça e manifestar retidão na administração pessoal e pública.
Certamente incompleta, esta lista sugere apenas a constelação de capacidades necessárias à construção da tecitura moral, econômica e social da vida coletiva. A lista enfatiza o papel vital tanto dos recursos científicos como religiosos na promoção do desenvolvimento. Alerta-nos sobre a gama de valores e atitudes que estimulam as capacidades básicas, como também os conceitos, informações, habilidades e métodos a serem empregados em seu desenvolvimento sistemático. Também destaca a importância do aprendizado estruturado na geração e manutenção de um conjunto integrado de atividades sociais e econômicas.
Portanto, a capacitação conforme aqui proposta implica possibilitar ao indivíduo manifestar poderes inatos de uma forma criativa e metódica, organizar as instituições para o exercício da autoridade de forma a que esses poderes sejam canalizados no sentido da elevação dos membros da sociedade, e o desenvolvimento da comunidade para atuar como um ambiente que leve à liberação do potencial individual e ao enriquecimento da cultura. O desafio de todos os três é aprender a utilizar os recursos materiais e os dons intelectuais e espirituais para o progresso da civilização.
Onde começar?
Como começar um discurso sobre os papéis complementares da ciência e da religião na promoção da transformação social? Quais são as áreas concretas da atividade humana que podem ser afetadas de forma mais significativa? Como ponto de partida, sugere-se que o discurso se concentre no processo de capacitação nas seguintes áreas:
Educação
Tendo em vista que o progresso social decorre da criação e disseminação do conhecimento, um aspecto saliente da estratégia de desenvolvimento nas últimas décadas tem sido a educação. Inicialmente, o foco dado à infra-estrutura física evoluiu para incluir assuntos relacionados ao currículo, administração, capacitação pedagógica, tecnologia educacional, e o relacionamento entre a escola e a comunidade à sua volta. No entanto, a despeito de notáveis realizações, especialmente em prover educação primária em uma base universal, as metodologias educacionais estão, em sua maioria, falhando em liberar e cultivar o potencial humano. Um enfoque fragmentado voltado à busca do conhecimento está resultando numa experiência educacional cumulativa, a qual não permite aos estudantes ver as relações essenciais entre as diferentes áreas da investigação humana e a realidade social. Esta fragmentação é exacerbada pela ênfase colocada apenas na absorção de fatos, mais do que no entendimento de importantes conceitos e processos. Ainda mais, muitos assuntos relacionados aos anseios e moralidade da pessoa humana são raramente considerados.
A situação atual exige uma nova forma de ver o inteiro conjunto do conhecimento humano, e como ele pode ser estudado e expandido de uma forma holística. A educação deve esforçar-se para desenvolver um conjunto integrado de capacidades - técnicas, artísticas, sociais, morais e espirituais - de forma a que as pessoas possam conduzir vidas com um propósito bem definido e tornar-se agentes de uma transformação social positiva. É a criação de currículos e metodologias adequados que estimulam tais capacidades inter-relacionadas, que exigirá uma parceria efetiva entre a ciência e a religião.
Atividade e Organização Econômica
Como fator central à tarefa de reconceituar a organização dos assuntos humanos, está o entendimento apropriado do papel da atividade econômica. O desequilíbrio econômico e a desigualdade que se vêem tão disseminados no mundo, resultam diretamente do fracasso em colocar questões econômicas em um contexto mais amplo da existência social e espiritual da humanidade. As iniciativas econômicas devem estar voltadas para servir às necessidades das pessoas; não é de se esperar que as sociedades devam modelar-se e adequar-se a modelos econômicos específicos - particularmente aqueles que adotam hábitos desenfreados de aquisição e consumo.
Criar modelos ecologicamente sustentáveis de atividade econômica, que se estendam do nível local à abrangência global, exige uma reorientação fundamental das estruturas tanto dos princípios como das instituições que governam a produção e o consumo. Enfoques que estimulem a geração e a distribuição da riqueza em micro-regiões rurais, e políticas que impeçam que os processos de globalização marginalizem as iniciativas econômicas procedentes das raízes da sociedade, merecem uma atenção particular dos estudiosos. Por fim, a sociedade precisa desenvolver novos modelos econômicos baseados em percepções que surgem de um entendimento compassivo da experiência compartilhada, da visão dos seres humanos em suas relações mútuas, e do reconhecimento do papel central que a família e a comunidade desempenham no bem estar social e espiritual. Os recursos devem ser desviados das atividades e dos programas que são nocivos ao indivíduo, às comunidades e ao ambiente e direcionados para aqueles que mais adequadamente visem à criação de uma ordem social que cultive as ilimitadas potencialidades existentes nos seres humanos. Tanto a ciência como a religião tem, portanto, um papel chave em desenvolver sistemas econômicos que sejam fortemente altruístas e cooperadores em natureza.
Desenvolvimento Tecnológico
As trajetórias da tecnologia são formadas por uma variedade de fatores políticos, sociais e econômicos. O atual direcionamento do desenvolvimento tecnológico, porém, está sendo orientado primariamente pelas forças de mercado que não refletem as necessidades básicas dos povos do mundo. Ainda mais, as políticas tecnológicas dos governos raramente dão atenção explícita às exigências sociais e ambientais, enquanto que as políticas voltadas a estas duas áreas raramente levam em conta as oportunidades tecnológicas. Faz-se necessária maior coerência.
Definir e entender a necessidade tecnológica devem ser um aspecto chave de qualquer processo participativo das bases da comunidade. A capacidade de avaliação, inovação e adaptação tecnológica precisa ser promovida entre as próprias pessoas. Um primeiro passo importante nessa direção é estimular a compreensão e o respeito à base de conhecimento existente em uma comunidade ou cultura. Isso irá ajudar a comunidade a desenvolver confiança em sua habilidade de conceber e implementar soluções inovadoras a problemas difíceis. Quando existe tal confiança, a ciência e a tecnologia podem melhor e mais rapidamente ser utilizadas como ferramentas para preservar e ampliar a identidade cultural. Neste respeito, o estabelecimento de centros locais e regionais de aprendizado exercerá um papel crucial não somente na educação e capacitação técnicas, mas também na sistematização e expansão do conhecimento nativo.
Se o comprometimento espiritual e o princípio moral constituírem o caráter subjacente dos princípios da vida comunitária, as descobertas científicas e as inovações técnicas serão utilizadas de forma a servir para enriquecer a experiência individual e coletiva. A tomada de decisão tecnológica, que é diretamente guiada por sistemas locais de valores, assegurará que os usos supérfluos da tecnologia sejam evitados. Tal orientação moral também chamará a atenção para os problemas mais importantes enfrentados pelas comunidades. Um exemplo de particular importância é desenvolver formas de tecnologia sustentável em áreas rurais. O uso integrado de recursos naturais, como o alimento, a energia e os materiais tornar-se-ão cada vez mais uma preocupação básica do desenvolvimento das vilas e pequenas cidades. Especialmente relevante neste aspecto são os sistemas e técnicas que complementam o estilo de vida rural das vilas.
Governança
A boa governança é essencial ao progresso social. Governança é muitas vezes entendida como governo, mas na realidade envolve muito mais. A governança ocorre em todos os níveis e engloba as formas que o governo formal, os grupos não-governamentais, as organizações comunitárias e o setor privado administram recursos e os assuntos em geral. Uma forma eficaz de governar é necessária se as comunidades devem manter seu equilíbrio, direcionar-se corretamente nas dificuldades, e responder criativamente aos desafios e às oportunidades que se encontram diante delas. Três fatores que determinam fortemente a condição de governança são a qualidade de liderança, a qualidade dos governados e a qualidade das estruturas e dos processos existentes.5 Todos os três exigem o desenvolvimento de capacidades.
Existe um emergente consenso internacional sobre as características básicas da boa governança, especialmente em relação a um governo formal. Essas características incluem democracia, domínio da lei, responsabilidade, transparência e participação da sociedade civil. Mas as instituições verdadeiramente eficazes de governança - instituições que estejam livres da corrupção e que engendrem confiança pública - surgirão somente quando processos de tomada de decisão coletiva e ações coletivas forem guiados por princípios espirituais. O desenvolvimento de mecanismos de governança que atendam a este padrão exigirá tanto a capacitação prática como a moral. Se as instituições governantes de fato proverem uma participação significativa dos cidadãos na formação de conceitos, implementação e avaliação dos programas e políticas públicas, então a capacidade da comunidade de realizar e administrar mudanças irá, com certeza, ser grandemente enriquecida. Isso é verdade tanto para as instituições operando numa vila como nível internacional.
Justiça
A justiça é um dos mais importantes e imprescindíveis requisitos de toda atividade desenvolvimentista. É o único instrumento que assegura que o acesso e as oportunidades sejam eqüitativamente distribuídos. Se a justiça for realmente o principal fator determinante do planejamento do desenvolvimento e de sua implementação, os recursos, embora limitados, não serão desviados para fins de execução de projetos extemporâneos às prioridades sociais ou econômicas essenciais de uma comunidade. Somente a certeza de que a justiça será o princípio guia da interação humana fará com que os povos da terra se dediquem com entusiasmo e confiança às iniciativas voltadas à promoção do progresso social e econômico. As qualidades humanas relevantes, como honestidade, boa vontade de trabalhar e um espírito de cooperação, somam-se com sucesso para a realização das metas coletivas, e isso possibilitará a todos os membros da sociedade - na verdade cada grupo e cada elo componente da sociedade - ter certeza de estarem sob a proteção de padrões e seguros de benefícios que serão aplicados a todos de forma eqüitativa.6
A justiça não pode ser vista como um ideal inatingível. mas como uma capacidade crescente que os indivíduos, as comunidades e as instituições devem continuamente desenvolver. A realização da justiça depende da participação universal e da ação que envolvam todos os membros e agências da sociedade. Criar uma cultura de justiça, ou mais especificamente, de direitos humanos, está intimamente ligado a um processo de desenvolvimento moral e espiritual. Quando tal cultura começa a surgir, os assuntos práticos tais como a capacitação na administração e na aplicação efetiva da justiça, a distribuição eqüitativa dos recursos da comunidade, e a elevação social das pessoas e grupos historicamente excluídos dos benefícios e oportunidades oferecidos pela sociedade poderão ser eficazmente tratados. Então, com a justiça reconhecida como um fator indispensável da vida diária, torna-se essencial a colaboração entre as percepções científica e religiosa da raça humana.
Olhando para o futuro
Neste momento da história, quando até agora pessoas e culturas isoladas estão interagindo pela primeira vez, e quando a própria terra foi contraída a uma aldeia, a atividade desenvolvimentista precisa necessariamente ser um empreendimento global, cujo propósito é criar tanto o bem-estar material como o espiritual dos habitantes do planeta. Reconhecer que a humanidade é um mesmo povo com um destino comum, é entender que o desenvolvimento deve deixar de ser algo que alguém realiza em favor dos outros. A tarefa de construir uma sociedade global justa e pacífica deve envolver todos os membros da família humana.
Se as capacidades dos povos do mundo hão de alcançar os níveis necessários para enfrentar as complexas exigências da hora presente, os recursos, tanto da razão como da fé, devem ser utilizados. As iniciativas de desenvolvimento não levarão a progressos tangíveis e duráveis do bem-estar físico sem os recursos daqueles postulados espirituais universais que dão direcionamento e significado à vida. Enquanto a ciência oferece os métodos e os instrumentos para a promoção social e econômica, ela sozinha não pode determinar a direção a seguir; a meta do desenvolvimento não pode surgir de dentro do próprio processo. Uma visão é necessária, e a visão apropriada jamais será alcançada enquanto a herança espiritual da raça humana continue a ser considerada como algo marginal às políticas e programas de desenvolvimento.
Instituto para Estudos sobre a Prosperidade Global
2. A Prosperidade da Humanidade, uma declaração da Comunidade Internacional Bahá’í, 1995.
3. Pode-se questionar que os assuntos morais e espirituais têm estado historicamente ligados a doutrinas teológicas conflitantes, e que, portanto, não podem ser objeto de comprovação científica. Assim esses assuntos não se encaixam na estrutura das preocupações de desenvolvimento da comunidade internacional. Reconhecer nelas um papel significativo seria abrir a porta justamente para aquelas influências dogmáticas que têm alimentado o conflito social e bloqueado o progresso humano. Existe, indubitavelmente, algo de verdade em tal argumento. É algo inteiramente inaceitável concluir, no entanto, que a resposta se encontra em desencorajar a investigação da realidade espiritual e ignorar as raízes mais profundas da motivação humana.
4. A colaboração entre religião e ciência no campo do desenvolvimento pode assumir muitas formas. Um exemplo óbvio encontra-se na área da educação moral. Considerando que a conduta moral é uma expressão concreta da natureza espiritual da humanidade, a formulação de teorias e métodos educacionais e métodos que sistematicamente promovam o desenvolvimento moral, é algo de particular importância. Aprender a aplicar os conceitos morais e espirituais à realização do progresso material, poderia, de fato, ser considerado como um pré-requisito essencial de todas as iniciativas sociais e econômicas.
5. Valorizando a Espiritualidade no Desenvolvimento: Considerações Iniciais para Estabelecer Indicadores de Desenvolvimento Baseados em Conceitos Espirituais, uma declaração da Comunidade Internacional Bahá’í , 1998.
6. A Prosperidade da Humanidade.
dezembro 28th, 2008 at 02:44
Preparar o homem para a transcendência tem sido a proposta de muitos, ao longo da história. O homem escusa-se através da ciência para não aderir a essa proposta. Viver na matéria, usufruir dela, mas olhá-la de cima, além dela. Esse, a meu ver, é o grande desafio do novo milênio. Transcender à matéria, mesmo estando nela. Mudar o olhar. Esse o nosso grande aprendizado. Por isso estamos aqui.
janeiro 7th, 2009 at 04:39
Prezado Carlos Gomes,
Mudar o nosso olhar em relação ás diferenças uns dos outros e respeitá-las, é uma passo demasiadamente importante para que possamos ter um desenvolvimento real de nosso país. O desenvolvimento que todos prezam, são somente econômico, mas como social. É preciso expandir a consciência para a complexidade da vida, respeitando as características ser e agindo como parte de um todo, ou seja, respeitando os espaços, vozes e vidas.
É nesse sentido que a ciência e a religião podem colaborar com esse objetivo. As pessoas sempre dependeram da ciência e da religião como os dois sistemas principais do conhecimento que guiaram seu desenvolvimento e canalizaram seus poderes morais e intelectuais. Assim, essa colaboração entre ciência e religião no campo do desenvolvimento podem assumir várias formas. Na educação ela pode abrir diferentes portas, desenvolvendo capacidades técnicas, artísticas, sociais, morais e espirituais, onde as pessoas aprendam desde a educação básica, o respeito e o reconhecimento de seu semelhante, mesmo tendo características diferentes e únicas. Na Governança, onde ela seja de fato equilibrada, democrática, responsável, transparente e que abra espaço para a participação da sociedade civil. Um governança onde os processos de tomadas de decisões sejam coletivas e guiados por principios espirituais. E em tantas outras áreas que são indispensáveis por esse desenvolvimento ideal para o nosso país.
Cordialmente,
Lorayne Oliveira – Assistente do Projeto Ciência, Religião e Desenvolvimento.